Ney Leprevost admite possibilidade de presidir a Alep e revela bastidores da disputa
Em entrevista ao Gcast, deputado citou seis possíveis candidatos ao comando da Assembleia, analisou as articulações de Sergio Moro e defendeu o diálogo político no Paraná
Nesta quarta-feira (28), a Gazeta do Paraná recebeu no Gcast o jornalista e deputado estadual Ney Leprevost (Republicanos). A entrevista, conduzida pelo jornalista Carlos Moraes, abordou os bastidores da política paranaense, as articulações para a formação do próximo governo estadual e a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Durante a conversa, Leprevost afirmou que não pretende disputar diretamente o comando da Casa, mas deixou seu nome à disposição caso haja uma composição política em torno de sua candidatura.
Reeleito para seu quinto mandato como deputado estadual, Leprevost avaliou que a próxima presidência da Assembleia será definida por meio de negociações entre as bancadas e o governador eleito Sergio Moro (PL), que assumirá o Executivo paranaense em janeiro de 2027.
“Eu não tenho a pretensão de ser presidente, mas meu nome está sempre à disposição para servir o Paraná. Se chegar o momento em que entenderem que precisa ser um presidente que tenha ficha limpa, que seja moderado, que dialogue com todos, eu estou à disposição”, declarou.
Embora não tenha anunciado uma candidatura, o parlamentar destacou características que considera importantes para assumir a liderança do Legislativo, como a capacidade de diálogo com diferentes grupos políticos, a experiência parlamentar e o bom relacionamento com integrantes das bancadas de situação e oposição.
Seis nomes aparecem na disputa pela presidência
Durante a entrevista, Leprevost apresentou um panorama dos parlamentares que, segundo sua avaliação, aparecem nas conversas sobre a sucessão da Mesa Diretora.
Entre os nomes citados estão Gugu Bueno, César Silvestre Filho, Maria Victoria, Delegado Jacovós, Guerrinha e Moacyr Fadel.
“Todos esses aparecem ali como possíveis nomes, mas nenhum nome ainda se firmou até o momento”, afirmou.
Na avaliação de Leprevost, a definição poderá ocorrer antes mesmo da posse dos novos deputados, prevista para fevereiro de 2027.
Segundo ele, as articulações políticas devem se intensificar após o feriado de Finados, em 2 de novembro. O parlamentar considera provável que os deputados cheguem à posse já comprometidos com alguma candidatura à presidência da Casa.
A expectativa é de que os principais entendimentos ocorram até a primeira quinzena de dezembro.
Moro precisará construir maioria na Assembleia
Outro ponto central da entrevista foi a composição da futura base parlamentar do governador eleito Sergio Moro. Leprevost ressaltou que o resultado das eleições não garantiu automaticamente ao novo governador o controle da Assembleia Legislativa.
De acordo com os números apresentados na entrevista, o PL, partido de Moro, e o PSD, legenda do governador Ratinho Junior, elegeram 14 deputados estaduais cada. O PT conquistou oito cadeiras e o PP, seis. Republicanos, Novo e Podemos elegeram três representantes cada, enquanto MDB e PDT ficaram com duas e uma cadeira, respectivamente.
Para obter maioria absoluta entre os 54 parlamentares, o futuro governo precisará reunir pelo menos 28 deputados.
Leprevost afirmou que Moro já iniciou conversas com partidos que não integraram sua base eleitoral, entre eles Republicanos, MDB e PP. Segundo o deputado, a bancada do Republicanos, formada por três parlamentares, participou de uma reunião considerada positiva com o governador eleito.
O Republicanos apoiou Sandro Alex (PSD) na disputa pelo governo estadual. Apesar disso, Leprevost afirmou que não realizou ataques a Moro durante a campanha e avalia que o governador eleito está demonstrando disposição para ampliar o diálogo.
“Claramente, o Moro está adotando uma postura de quem quer dialogar, de quem quer construir uma base, de quem quer colocar o interesse público em primeiro lugar”, avaliou.
Escolha da presidência dependerá da articulação política de Moro
Para Leprevost, uma das decisões mais importantes do governador eleito será definir quem ficará responsável pela articulação política do novo governo.
“Eu acho que é possível uma chapa única, mas, para que essa chapa única possa se tornar realidade, é necessário que o governador eleito Sergio Moro diga quem vai ser o seu negociador político”, afirmou.
Segundo o deputado, essa função normalmente é desempenhada pelo chefe da Casa Civil, mas também pode ser atribuída a um parlamentar experiente, responsável por conduzir as negociações entre os partidos.
A disputa não envolve apenas a presidência da Assembleia. O comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e da Comissão de Orçamento também deverá entrar nas negociações, já que ambas exercem funções estratégicas na tramitação de projetos e na análise das matérias financeiras do Estado.
Leprevost avalia que Alexandre Curi poderia ter levado eleição ao segundo turno
A entrevista também abordou o resultado das eleições para o governo do Paraná. Leprevost afirmou que apoiou Sandro Alex por lealdade à base do governador Ratinho Junior, mas reconheceu que parte dos aliados defendia a candidatura de Alexandre Curi.
“Talvez se o Alexandre Curi tivesse sido escolhido, hoje houvesse um segundo turno no Paraná”, declarou.
O deputado ponderou, entretanto, que não é possível assegurar qual teria sido o resultado em um cenário eleitoral diferente.
Sergio Moro venceu a eleição no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, com 3.127.911 votos, equivalentes a 50,10% dos votos válidos, conforme dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Relação entre Lula e Moro também foi discutida
Durante a conversa, Leprevost defendeu que Sergio Moro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva superem suas divergências políticas para manter uma relação institucional que permita a execução de projetos e investimentos no Paraná.
Na avaliação do parlamentar, o histórico de confronto entre os dois não pode prejudicar a relação administrativa entre os governos federal e estadual.
“Eles vão ter que encontrar uma maneira de instituir um diálogo republicano, um diálogo que priorize o interesse público. Ninguém espera que eles se tornem amigos”, afirmou.
Leprevost também avaliou que Moro demonstrou amadurecimento político após a eleição, especialmente pela disposição de conversar com antigos adversários e buscar aproximação com diferentes partidos.
Deputado defende moderação e respeito às diferenças políticas
Ao longo da entrevista, Leprevost criticou a polarização política e defendeu uma postura de maior respeito entre representantes de diferentes correntes ideológicas.
O parlamentar afirmou que é possível manter convicções políticas sem transformar divergências em conflitos pessoais. Também destacou a importância de buscar consensos em temas que beneficiem a população, independentemente das posições partidárias.
“A gente hoje está fazendo política no Brasil só em cima do dissenso, mas tem um monte de coisa boa, de coisa positiva para a população, que pode ser colocada em prática”, afirmou.
Para Leprevost, o próximo governo estadual precisará contar com uma Assembleia capaz de fiscalizar o Executivo e exercer uma oposição responsável, sem transformar disputas partidárias em obstáculos permanentes à administração pública.
A entrevista no Gcast trouxe diferentes avaliações sobre o cenário político paranaense, especialmente os bastidores da disputa pela presidência da Assembleia, as negociações para a formação da base de Sergio Moro e os desafios institucionais do próximo governo.
A conversa completa com Ney Leprevost pode ser acompanhada nos canais oficiais do Gcast, da Gazeta do Paraná.
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