Trabalhadores da Copel rejeitam proposta de PLR 2026 em votação e sinalizam insatisfação com modelo
Trabalhadores rejeitam proposta de PLR 2026 da Copel por ampla maioria e abrem novo impasse nas negociações com a empresa
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Copel
Os trabalhadores e trabalhadoras da Copel rejeitaram, por ampla maioria, a proposta de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) apresentada pela companhia para o ciclo de 2026. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral Extraordinária (AGE), em votação online que mobilizou 1.801 copelianos em dois sistemas distintos de deliberação.
No resultado consolidado, 76,57% dos participantes votaram contra a proposta, enquanto apenas 22,4% manifestaram concordância. As abstenções, votos brancos e nulos representaram uma parcela residual do total. O resultado foi interpretado pelas entidades sindicais como uma rejeição expressiva ao modelo apresentado pela empresa.
A votação ocorreu por meio das plataformas digitais copelianos.sindivoto.com.br e sintec.voteagora.app, garantindo a participação de empregados de diferentes áreas da companhia. No sistema Sindivoto Copelianos, foram registrados 1.254 votos, com maioria de 76,7% contrária à proposta. Já na plataforma do Sintec, entre 547 votantes, 416 também rejeitaram o texto encaminhado pela empresa.
A proposta da Copel previa alterações relevantes na forma de cálculo e distribuição da PLR. Entre os pontos centrais estavam a mudança na divisão dos valores, que passaria do modelo atual de 50% linear e 50% proporcional para 25% linear e 75% proporcional. Na prática, segundo representantes dos trabalhadores, a alteração tende a ampliar desigualdades internas, reduzindo a participação dos menores salários no resultado final.
Outro ponto considerado sensível foi a elevação da meta mínima de EBITDA necessária para a liberação do pagamento da PLR, que subiria de 85% para 90%. Para as entidades sindicais, essa mudança aumentaria o risco de não pagamento da participação nos lucros, tornando o acesso ao benefício mais restritivo e condicionado a metas mais difíceis de serem atingidas.
Na avaliação das representações dos trabalhadores, os dois pontos centrais da proposta refletem uma tentativa de alteração no modelo atual que, segundo eles, impacta diretamente a distribuição dos resultados e a previsibilidade do pagamento. A crítica é de que o formato apresentado reduz a proteção aos trabalhadores com menores salários e eleva exigências financeiras da empresa para liberação do benefício.
Diante do resultado da assembleia, os sindicatos afirmam que a decisão será comunicada formalmente à direção da companhia e que uma nova rodada de negociações deverá ser aberta. A expectativa é de que a Copel reavalie os termos da proposta rejeitada pela categoria.
As entidades destacam ainda que o processo de votação reafirma a posição dos trabalhadores sobre a necessidade de manutenção de critérios considerados mais equilibrados na distribuição da PLR. Segundo as representações sindicais, o resultado demonstra insatisfação com mudanças que, na visão da categoria, poderiam precarizar a política de participação nos resultados.
Com a rejeição consolidada, o impasse retorna à mesa de negociação. De um lado, a empresa sustenta a proposta de revisão dos critérios; de outro, os trabalhadores indicam que não há abertura para perdas ou redução de direitos. O desfecho agora dependerá das próximas rodadas de diálogo entre as partes.
