Terminal privatizado por Ratinho Júnior é um dos alvos de operação contra o PCC em Paranaguá

Auditores da Receita identificaram irregularidades em mais de mil postos de combustíveis em dez estados

Por Gazeta do Paraná

Terminal privatizado por Ratinho Júnior é um dos alvos de operação contra o PCC em Paranaguá Créditos: José Fernando Ogura/Arquivo AEN

 

A Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deflagraram a operação Carbono Oculto, que apura fraudes no setor de combustíveis e o possível envolvimento da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). As investigações miram, entre outros alvos, fundos de investimento que participaram da compra do terminal PAR 50 do Porto de Paranaguá, privatizado em 2023 pelo governador Ratinho Júnior (PSD).

Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil na quinta-feira (28), integrantes do PCC estariam atuando na importação irregular de metanol por meio do terminal. Ao todo, foram cumpridos 350 mandados de busca e apreensão em oito estados: São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de Janeiro e Santa Catarina. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) também determinou o bloqueio de mais de R$ 1 bilhão em bens de investigados.

Auditores da Receita identificaram irregularidades em mais de mil postos de combustíveis em dez estados, usados para lavar dinheiro do crime organizado. De acordo com o órgão, entre 2020 e 2024 esses estabelecimentos movimentaram cerca de R$ 52 bilhões, com recolhimento de tributos muito abaixo do esperado.

Paralelamente, a Polícia Federal deflagrou, também na quinta-feira (28), a operação Tank, que revelou a atuação de 46 postos de combustíveis em Curitiba na venda de gasolina adulterada e na prática da chamada “bomba baixa”, quando o volume abastecido é inferior ao registrado na bomba. O esquema estaria ligado ao etanol importado ilegalmente, que entrava pelo Porto de Paranaguá.

As duas operações reforçam o cerco contra fraudes bilionárias no setor de combustíveis, que além de gerar perdas fiscais expressivas, levantam indícios de infiltração do crime organizado em concessões e operações estratégicas de logística no país.

Segundo a PF, o grupo atuava desde 2019 e movimentou mais de R$ 23 bilhões por meio de uma rede composta por postos de combustíveis, distribuidoras, holdings, empresas de cobrança e instituições de pagamento. A PF identificou depósitos fracionados em espécie, uso de laranjas, transações cruzadas, repasses sem lastro fiscal, fraudes contábeis e simulação de aquisição de bens e serviços.

Leilão

O terminal PAR 50 foi arrematado em leilão na B3, em São Paulo, em fevereiro de 2023, por R$ 1 milhão, pelo FTS Group. Em novembro de 2023, a Liquipar Operações Portuárias S.A., empresa que pertencia ao FTS Group, foi adquirida pela Stronghold Infra Investiments, que atualmente controla o terminal.

Com informações do Portal Plural

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