Suspeito de organizar roubo milionário por túnel é preso no Paraguai
Mario Pucheta Martínez foi preso no Alto Paraná em operação com troca de informações com a PF; ele é investigado pelo roubo ao cofre de cambistas em Ciudad del Este e também é procurado no Brasil
Créditos: Policia Nacional do Paraguai
Um homem apontado pelas autoridades paraguaias como suspeito de financiar e organizar o roubo ao cofre da Associação de Trabalhadores Cambistas (ATC), em Ciudad del Este, foi preso no Paraguai. Mario Pucheta Martínez, de 57 anos, foi localizado em Juan E. O’Leary, no Alto Paraná, durante uma operação realizada com troca de informações com a Polícia Federal brasileira.
Pucheta era procurado no Paraguai e também possui uma ordem de captura no Brasil por investigações relacionadas ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. As informações sobre a prisão foram divulgadas pelo jornal paraguaio La Nación.
A prisão ocorreu na quinta-feira (17), durante a Operação Antialias, conduzida por agentes do Departamento de Convênios e Acordos de Cooperação Policial Internacional (Decacpi), estrutura que integra o Comando Tripartito.
O suspeito foi localizado em uma residência no assentamento R.I. 14, em Juan E. O’Leary. Segundo o comissário Carlos Duré, chefe do Decacpi, a localização foi possível após o cruzamento de informações com a Polícia Federal brasileira. A operação teve acompanhamento do promotor Osvaldo Zaracho e autorização judicial de Ciudad del Este.
Investigação sobre roubo ao cofre
Mario Pucheta também é investigado pelo roubo à Associação de Trabalhadores Cambistas de Ciudad del Este, ocorrido em fevereiro de 2024.
Na ocasião, criminosos chegaram ao cofre por meio de um túnel escavado a partir de um imóvel localizado nas proximidades. Segundo a investigação paraguaia, Pucheta teria participado do financiamento e da organização da ação.
Durante uma busca realizada em 2024 em uma propriedade ligada ao suspeito, em Presidente Franco, investigadores encontraram anotações que, segundo a investigação, continham orientações relacionadas à execução do roubo. Entre elas estavam referências à abertura dos cofres e à redução de ruídos durante a ação.
O valor levado pelos criminosos ainda apresenta divergências. A denúncia oficial citada pela imprensa paraguaia registra aproximadamente 4,75 bilhões de guaranis. Já estimativas extraoficiais divulgadas na época chegaram a cerca de US$ 30 milhões.
Por isso, a estimativa de US$ 30 milhões não é tratada como valor oficialmente confirmado.
Suspeito usava diferentes identidades
As investigações também apontam que Pucheta utilizava diferentes nomes e documentos nos dois países.
No Paraguai, aparecem as identidades Mario Pucheta Martínez, Juan Pucheta Martínez e Jorge Fretes. No Brasil, ele teria utilizado os nomes Mario Pucheta e João Pucheta Martins. Também foi identificado o uso de um documento paraguaio em nome de Gabriel Martínez.
Segundo as autoridades paraguaias, a utilização de diferentes identidades dificultou a localização do suspeito durante os anos de investigação. A polícia também afirma que ele teria realizado procedimentos estéticos para alterar a aparência e dificultar o reconhecimento.
Pucheta também é procurado no Brasil
No Brasil, Mario Pucheta possui uma ordem de captura relacionada a investigações por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
No Paraguai, ele responde a processos e possui ordens relacionadas a tráfico de drogas e furto agravado, além da investigação sobre o roubo ao cofre dos cambistas.
Após a prisão, a Justiça paraguaia determinou a prisão preventiva de Pucheta no processo relacionado ao roubo dos cambistas. O pedido brasileiro de extradição também deverá ser analisado pela Justiça do Paraguai.
