Operação contra ONG em Campo Largo: Instituto anuncia fim dos resgates
Linha fina: Após operação do Gaeco investigar suspeita de desvio de R$ 1,6 milhão, Instituto SOS 4 Patas afirma que vai encerrar atividades e diz que 642 animais ainda dependem da entidade
Créditos: Reprodução Redes Sociais
O Ministério Público do Paraná (MPPR) divulgou detalhes da Operação Resgate, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na manhã de quinta-feira (17). A investigação apura suspeitas de desvio de recursos, lavagem de dinheiro e crimes contra a economia popular envolvendo uma ONG de proteção animal de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba.
A principal investigada é Mariane Aparecida Mazzon, conhecida como Mari Mazzon SOS 4 Patas, que também é candidata a deputada estadual pelo Paraná. Pessoas e empresas ligadas a ela também são investigadas. A candidatura consta como deferida nos dados eleitorais consultados.
Durante a operação, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em endereços relacionados à ONG SOS 4 Patas em Campo Largo e Curitiba.
A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 1,6 milhão. Outra medida foi a suspensão imediata das atividades de captação de recursos da ONG por meio de sorteios, bingos e rifas.
Instituto anuncia encerramento das atividades
Após a operação, o Instituto SOS 4 Patas publicou uma manifestação nas redes sociais afirmando que chegou ao limite e que pretende iniciar o processo de encerramento das atividades.
Na manifestação, o Instituto disse estar “cansado” de lidar com ataques e perseguições enquanto atua na proteção animal. A entidade afirmou que, a partir de agora, não realizará novos resgates.
Segundo o Instituto, a prioridade será manter os animais que já estão sob seus cuidados e buscar adoções e lares temporários.
A entidade informou que realizou 3.648 resgates e 1.965 adoções desde 2021. Somente em 2025 e 2026, foram 1.521 animais resgatados em dezenas de municípios, segundo os números divulgados pelo próprio Instituto.
Atualmente, a ONG afirma manter 642 animais sob seus cuidados.
A entidade diz que esses animais continuam dependendo de ração, funcionários, medicamentos, atendimento veterinário, fisioterapia, tratamentos e hospedagem em hotéis.
Instituto cobra participação dos municípios
Na manifestação, o SOS 4 Patas também informou que pretende oficiar os municípios de origem dos animais resgatados para que apresentem soluções e assumam, quando juridicamente cabível, a responsabilidade pelos animais provenientes de seus territórios.
“Durante anos, nós demos um jeito. Agora precisamos, mais do que nunca, de adoções, lares temporários, ajuda para manter esses animais e do poder público assumindo a sua parte”, afirmou o Instituto.
A entidade encerrou a manifestação destacando que os 642 animais atualmente sob seus cuidados precisam de uma solução.
“São 642 vidas. Elas não podem simplesmente ficar sem destino”, afirmou o Instituto.
Suspeita de desvio de doações
Segundo o Ministério Público, a diretoria e o conselho fiscal da ONG SOS 4 Patas seriam ocupados por integrantes de um mesmo núcleo familiar.
A investigação aponta que parte dos valores arrecadados por meio de doações e promoções com sorteios teria sido desviada para contas pessoais da diretora executiva. Conforme o MPPR, os valores envolvidos chegam a aproximadamente R$ 1,6 milhão.
A apuração também aponta suspeita de confusão patrimonial, com despesas pessoais que teriam sido pagas com recursos da ONG.
O Ministério Público investiga ainda possíveis repasses de dinheiro a terceiros como forma de lavagem de capitais e suspeitas de fraudes nos sorteios realizados pela entidade.
Medidas determinadas pela Justiça
Além das buscas e apreensões, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores relacionados à investigação e proibiu imediatamente a ONG de realizar captação de recursos por meio de sorteios, rifas e bingos.
As medidas fazem parte da apuração de possíveis crimes de organização criminosa, peculato-desvio, lavagem de dinheiro e crimes contra a economia popular.
A investigação é conduzida pela 1ª Promotoria de Justiça de Campo Largo, com apoio do Gaeco.
O processo tramita em segredo de Justiça. As investigações continuam e, segundo o Ministério Público, novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço do inquérito.
