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STF investiga se Nelson Tanure é o verdadeiro controlador do Banco Master
Inquérito detalha fluxos financeiros complexos, uso de empresas no exterior e possível indução de investidores ao erro
Um inquérito encaminhado ao Supremo Tribunal Federal em fevereiro investiga se o controle do Banco Master vai além do seu acionista majoritário, Daniel Vorcaro, alcançando outros possíveis beneficiários econômicos, entre eles o empresário Nelson Tanure. A apuração teve início como uma notícia de fato no Ministério Público Federal e, ao longo de mais de dois anos, evoluiu até chegar à Corte, conforme informações divulgadas pelo ICL Notícias.
O envio do caso ao STF foi determinado pela 8ª Vara Criminal Federal de São Paulo em 27 de fevereiro deste ano, após manifestação do MPF que apontou possível conexão com investigações já em andamento no Supremo, no âmbito da Operação Compliance Zero. O processo, registrado sob o número 5006007-42.2024.4.03.6181, havia sido distribuído à Justiça Federal em julho de 2024.
A decisão foi assinada pelo juiz federal Décio Gabriel Gimenez, que acolheu o pedido do MPF e declinou da competência, transferindo o caso ao STF para análise de eventual conexão com outras apurações. Na prática, a medida desloca o foco da investigação da primeira instância para um conjunto mais amplo de investigações sob supervisão do Supremo.
O que está sendo investigado
Os documentos indicam que a apuração está estruturada em dois eixos principais.
1) Estrutura de capitalização
A investigação detalha operações envolvendo fundos de investimento, empresas criadas no contexto das transações e estruturas no exterior. Segundo os autos, recursos teriam sido direcionados para a aquisição de debêntures da Banvox Holding Ltda, constituída na mesma data, e posteriormente utilizados para capitalizar o Banco Master.
Essa engenharia financeira levanta questionamentos sobre a origem dos recursos, o papel das empresas intermediárias e a consistência econômica das operações.
Nesse contexto, o nome de Nelson Tanure surge como peça central em uma das hipóteses investigadas. A apuração trabalha com a possibilidade de que ele exerça controle direto, indireto ou de fato sobre o Banco Master, por meio de uma estrutura societária complexa e potencialmente dissimulada.
Há ainda indícios do uso de estruturas no exterior, com recursos possivelmente vinculados à empresa Aventti, tendo Tanure como beneficiário final.
A investigação também descreve um encadeamento de operações envolvendo fundos e empresas intermediárias. A hipótese central aponta para um fluxo financeiro estruturado da seguinte forma: Tanure → Fundo Estocolmo → Banvox → capitalização do Banco Master.
Essa linha investigativa busca esclarecer quem exerce, na prática, o controle econômico da instituição, independentemente das estruturas formais registradas.
2) Captação e alocação de recursos
O segundo eixo envolve a captação de recursos por meio de CDBs e sua posterior alocação em instrumentos como FIDCs, FIPs e precatórios.
Nesse ponto, surgem questionamentos sobre a precificação das cotas, possíveis inconsistências nas informações prestadas e eventual indução de investidores a erro. A apuração, portanto, também alcança a relação do banco com o mercado e seus investidores.
No momento em que foi remetido ao STF, o processo ainda não possuía investigados formalmente individualizados, com polo passivo indeterminado.
Isso indica que a investigação ainda estava em fase inicial de identificação de responsabilidades, com potencial de ampliar seu alcance para além do controlador formal do banco.
Conexão com a Operação Compliance Zero
A decisão de envio ao STF foi motivada pela existência de uma investigação paralela envolvendo o Banco Master dentro da Operação Compliance Zero.
O Supremo já havia determinado que novas diligências relacionadas ao caso deveriam ser submetidas previamente à Corte. Com base nisso, o MPF solicitou a remessa, e o juiz reconheceu que cabe ao STF avaliar a eventual conexão entre os casos.
Há ainda menções a operações envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), indicando que o contexto investigativo pode ser mais amplo.
Entre as expectativas das autoridades está a possibilidade de que uma eventual delação premiada de Vorcaro esclareça se existem outros nomes acima do controlador formal, hipótese que ganhou força ao longo das investigações.
Origem da investigação
O caso teve início em outubro de 2023, quando o fundo ESH Theta Master Fundo de Investimento Multimercado apresentou uma notícia de fato ao MPF, apontando possíveis irregularidades na estrutura de capitalização do Banco Master e em operações financeiras do grupo.
A apuração seguiu um percurso institucional até se transformar em inquérito policial:
24/10/2023: denúncia apresentada ao MPF
25/10/2023: registro inicial
01/02/2024: autuação da notícia de fato
03/06/2024: requisição de inquérito à Polícia Federal
05/06/2024: envio de documentos à PF
26/06/2024: instauração do inquérito
26/07/2024: distribuição à 8ª Vara Federal
27/02/2026: envio ao STF
Esse histórico demonstra que o caso foi sendo estruturado ao longo de diferentes instâncias até ser centralizado no Supremo.
Foco da apuração
O inquérito busca compreender a estrutura financeira e societária das operações do Banco Master para além do que está formalmente registrado.
Ao analisar fluxos de recursos e possíveis beneficiários indiretos, a investigação procura identificar quem, de fato, se beneficiava das operações, reforçando a hipótese de uma estrutura mais ampla por trás do controle formal.
Nesse cenário, Daniel Vorcaro aparece como ponto inicial da apuração, mas não necessariamente como seu limite. O foco central recai sobre a lógica das operações e sobre os agentes que delas podem ter se beneficiado.
