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Estudantes de medicina são alvo de aliciamento para contrabando de canetas emagrecedoras na fronteira

Aumento das apreensões na fronteira revela esquema que utiliza universitários brasileiros para transportar ilegalmente medicamentos do Paraguai ao Brasil

Por Gazeta do Paraná

Estudantes de medicina são alvo de aliciamento para contrabando de canetas emagrecedoras na fronteira Créditos: Divulgação/Gov

O crescente mercado das chamadas canetas emagrecedoras tem atraído a atenção das autoridades na fronteira entre Brasil e Paraguai. Em Foz do Iguaçu, estudantes brasileiros que cursam medicina em universidades paraguaias têm sido cooptados por organizações criminosas para atuar no transporte ilegal de medicamentos, funcionando como as chamadas “formiguinhas” do contrabando.

O caso mais recente ocorreu no último dia 25 de maio, quando dois estudantes de medicina foram presos em flagrante ao tentarem ingressar no Brasil pela Ponte da Amizade transportando 200 caixas de tirzepatida de 15 mg, medicamento utilizado para controle de diabetes e emagrecimento. Segundo a Receita Federal, parte da carga estava presa ao corpo de um dos universitários com fita adesiva, enquanto a estudante carregava os produtos escondidos em um casaco e em uma bolsa.

A carga apreendida estava avaliada em aproximadamente R$ 86 mil no Paraguai. No Brasil, medicamentos à base de tirzepatida, como o Mounjaro, podem custar mais de R$ 3 mil por caixa, diferença de preço que alimenta o comércio ilegal.

De acordo com o chefe da aduana brasileira na Ponte da Amizade, Daniel Messias Linck, o fenômeno tem relação tanto com a busca por lucro fácil quanto com a falta de conhecimento sobre a ilegalidade da prática.

Segundo ele, muitos estudantes acabam sendo aliciados justamente por cruzarem diariamente a fronteira para frequentar as universidades de Ciudad del Este, uma das principais cidades paraguaias que recebem brasileiros em cursos de medicina.

Os números da Receita Federal mostram a dimensão do problema. Em todo o ano passado, foram apreendidas 7.479 canetas e ampolas de tirzepatida na região de Foz do Iguaçu. Apenas nos primeiros meses deste ano, esse número saltou para 71.860 unidades, um crescimento superior a 860%.

A região da tríplice fronteira concentra milhares de estudantes brasileiros atraídos pelos custos mais baixos do ensino superior no Paraguai. Enquanto mensalidades de medicina no Brasil frequentemente ultrapassam R$ 10 mil, instituições paraguaias cobram, em média, cerca de R$ 2 mil por mês.

Dados do Ministério das Relações Exteriores apontam que aproximadamente 35 mil brasileiros estudam medicina no Paraguai, representando cerca de 75% dos matriculados nos cursos do país vizinho.

As investigações apontam que os estudantes geralmente transportam pequenas quantidades dos medicamentos para evitar suspeitas. Após cruzarem a fronteira, os produtos são repassados para veículos ou transportadores responsáveis pela distribuição para estados como São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Casos semelhantes têm sido registrados em diferentes regiões do país. Em fevereiro, um estudante de medicina foi preso transportando 462 canetas emagrecedoras do Paraná para o interior de São Paulo. Segundo a polícia, ele receberia R$ 6 mil pelo serviço. Em outros episódios, estudantes foram flagrados comercializando os produtos pelas redes sociais.

Para as autoridades, o aumento das apreensões demonstra a expansão de um mercado clandestino impulsionado pela grande diferença de preços entre os dois países e pela crescente procura por medicamentos para emagrecimento, transformando estudantes universitários em peças importantes da logística do contrabando na fronteira.

 
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