Sessão da Alep expõe embate sobre Moro e antecipa disputa eleitoral
Troca de acusações entre deputados, menções à Lava Jato e ao caso Banestado e promessa de CPI marcam debate em plenário
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Valdir Amaral
A sessão desta terça-feira (7) da Assembleia Legislativa do Paraná foi marcada por um embate direto entre parlamentares em torno do senador Sérgio Moro, após sua passagem pela Casa no dia anterior. O episódio evidenciou a antecipação do debate político relacionado à sucessão estadual de 2026.
O líder da oposição, Arilson Chiorato (PT), questionou a trajetória recente do senador e destacou a mudança de posicionamento político ao longo dos últimos anos.
“Depois de tudo que ele falou, denunciou e criticou, Sérgio Moro resolveu se filiar ao PL. O mesmo grupo político que ele acusava no passado. O que mudou? Ou os fatos, ou a conveniência”, afirmou.
Durante o discurso, o parlamentar também mencionou a possibilidade de retomada de discussões sobre o caso Banestado na Assembleia.
“Essa casa tem que retomar o caso Banestado. Vamos propor uma CPI para investigar o que aconteceu de fato”, disse.
Reação e aumento da tensão
As declarações geraram reação de deputados da base alinhada ao PL. O deputado Delegado Jacovós saiu em defesa de Moro e criticou as falas da oposição.
“Não vão manchar o nome de um juiz íntegro como o senador Moro. Quem foi condenado neste país não foi o Moro”, afirmou.
O debate evoluiu para trocas de acusações mais duras entre parlamentares. O deputado Tito Barrichello também criticou o posicionamento da oposição, enquanto Ricardo Arruda reforçou o discurso de enfrentamento político.
Durante o confronto, Delegado Jacovós afirmou que responderia aos ataques “na mesma medida”.
“Se for preciso tiro, porrada e bomba, aqui vai ter tiro, porrada e bomba”, disse.
A fala provocou reação do líder da oposição.
“Se vai ter tiro, porrada e bomba aqui, pode preparar. Revidação vai ter. Medo eu não tenho”, respondeu Arilson.
Intervenção com referência factual
Em meio ao embate, o deputado Luiz Claudio Romanelli buscou contextualizar o debate ao citar o episódio da saída de Moro do Ministério da Justiça, em 2020.
“Eu fui no Google e perguntei por que Sérgio Moro saiu do Ministério da Justiça. A resposta é clara: ele saiu acusando interferência política na Polícia Federal”, afirmou.
Romanelli acrescentou que se trata de um episódio público e registrado.
“Isso é um fato histórico, não é opinião”, disse.
Referências à Lava Jato e novas frentes de debate
Além das críticas políticas, deputados também trouxeram à discussão aspectos relacionados à atuação de Moro na Operação Lava Jato. O deputado Doutor Antenor mencionou relatório do Conselho Nacional de Justiça sobre a gestão de recursos vinculados à operação.
“O relatório aponta irregularidades que precisam ser debatidas”, afirmou.
Na sequência, a oposição voltou a citar o caso Banestado como possível objeto de investigação no âmbito da Assembleia.
Disputa de narrativa
Parlamentares alinhados a Moro defenderam sua atuação no combate à corrupção e criticaram as acusações feitas durante a sessão.
“O senador Moro representa uma alternativa e não vamos aceitar ataques levianos”, afirmou um deputado durante o debate.
A troca de discursos evidenciou uma disputa de narrativas sobre a trajetória política do senador, com referências tanto ao período da Lava Jato quanto à sua atuação no governo federal e ao posicionamento atual.
Clima de antecipação eleitoral
A sessão também indicou a intensificação do debate político com foco nas eleições de 2026. Mesmo sem tratar diretamente de projetos legislativos relacionados ao tema, os discursos concentraram-se na avaliação de trajetórias políticas e no posicionamento de lideranças.
O plenário registrou momentos de tensão, com elevação do tom entre parlamentares e necessidade de intervenção da presidência para condução dos trabalhos.
O episódio sinaliza que o debate eleitoral já começa a ganhar espaço dentro da Assembleia, com reflexos diretos nas discussões em plenário.
Créditos: Redação
