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Seleção Brasileira terá o maior jejum sem conquistar a Copa do Mundo

Brasil se despede da Copa do Mundo de 2026 com a derrota para a Noruega

Por Luciano Neves

Seleção Brasileira terá o maior jejum sem conquistar a Copa do Mundo Créditos: Odd Andersen

O desejo era começar este texto de outra forma. “Só faltam três jogos para o hexa”. No entanto, mais uma vez, lamentamos uma derrota da Seleção Brasileira e uma eliminação precoce. Automaticamente, reproduzimos duas frases: “o hexa ficou para 2023” e “ainda somos os únicos pentacampeões mundiais”. Pois bem. Essas duas frases servem de consolo. Mas está na hora de rever esses conceitos. Isso porque há dois erros gravíssimos nestas duas frases: soberba e comodismo.

A soberba aparece no fato de nos apegarmos a conquistas do passado e, por isso, acreditarmos que ainda somos melhores no quesito futebol. Não somos. O desempenho da Seleção Brasileira nesta Copa do Mundo e em todo o período que antecedeu ao Mundial mostra isso. E o comodismo fica latente quando uma derrota não machuca mais, não causa mais impacto. Aliás, para quem se apega ao passado, é bom lembrar que a lista de fracassos da Seleção já se equivale a lista de sucessos.

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Quem é a Noruega? Hoje é uma seleção classificada para as quartas de final da Copa do Mundo de 2026 e terá pela frente a Inglaterra num confronto de europeus que promete muito. A Inglaterra já venceu a Noruega e a Noruega já derrotou a Inglaterra. Mas nós nunca vencemos a Noruega. Em cinco jogos, são três derrotas, duas em Copas do Mundo, e dois empates.

Na prática, nesta Copa do Mundo, perdemos para um jogador, o tal do Haaland. Sabíamos de cada passado, cada movimento deste cracaço de bola. E ainda assim sucumbimos. Faltou estudo? Não. Excesso de soberba. Usamos os trejeitos do jogador norueguês para fazer chacota na internet. Hoje precisamos ser humildes e reconhecer. O camisa 9 deles é muito melhor que qualquer um dos nossos camisas 9. No passado, qualquer jogador que usava a camisa 9, a 10, a 7, a 8, a 11, a 2, a 3, a 1 da Seleção Brasileira era capaz de impor respeito aos adversários. Eles ficaram no passado. Não temos mais um 8, um 9, um 10 de respeito. Antes éramos temidos, hoje não passamos de meros coadjuvantes. Ao analisar a tabela da Copa do Mundo desde o início dá até para acreditar que a Noruega, quando já estava classificada e foi derrotada pela França, escolheu o caminho para enfrentar o Brasil nas oitavas. Caminho mais fácil? Quem diria... Perdemos o respeito.

E quem é a Noruega? O histórico deles é pífio diante do que temos em termos de Copa do Mundo. Estão apenas na quarta participação no torneio. Mas eles já têm a melhor campanha da história ao chegar entre os oito melhores. E tem Haaland, um autêntico camisa 9.

A Noruega é melhor que o Brasil? Hoje é sim. Eles seguiram, nós não. Se Haaland é melhor que os nossos principais jogadores, como eles dividem o protagonismo em grandes ligas europeias?

O futebol ainda é um produto brasileiro de valor agregado. Muitos jogadores que fizeram parte desta Seleção na Copa brilham em alguns dos clubes mais ricos do planeta, assim como Haaland. Então por que o Brasil tem sucumbido diante de seleções europeias? Eis um problemão. A Seleção Brasileira não vence um time europeu num jogo de mata-mata de Copa do Mundo desde 2002. Esse dado alerta mais uma vez que é preciso rever o conceito de Seleção Brasileira.

A CBF trouxe Carlo Ancelotti, treinador de currículo invejável. Aliás, é o técnico mais bem pago entre todas as 48 seleções que disputaram essa Copa. E que terá um ciclo inteiro para construir um time campeão. Carlo Ancelotti tem contrato com a CBF até 2030. Será este o ano do hexa? Sim, isso é possível. No entanto, o primeiro passo para Ancelotti é avaliar os erros nesta Copa, que foram muitos, e, a partir daí, iniciar a construção de um novo time. O maior desafio, a meu ver, é a descoberta de jogadores com sentimento de Seleção Brasileira, não simplesmente uma escolha de acordo com as próprias convicções. 

Jejum

Com a eliminação para a Noruega, o Brasil fez sua pior campanha na história da competição desde 1990. Dessa forma, já acumula o maior jejum sem títulos mundiais. A Seleção Brasileira não conquista a Copa desde 2002 e chegará a 28 anos sem erguer a principal taça do futebol.

Pentacampeã, a Seleção chegou para a Copa do Mundo de 2026 vivendo o mesmo jejum de 24 anos do elenco que foi tetracampeão em 1994, nos Estados Unidos. O tri havia sido conquistado em 1970. Naquela ocasião, porém, a equipe voltou a faturar o título e encerrou o período sem taças. Agora, o jejum só poderá ser quebrado na edição de 2030.

Antes de cair para a Noruega, a última vez que o Brasil havia sido eliminado nas oitavas de final foi em 1990, quando perdeu por 1 a 0 para a Argentina. Nas três edições seguintes, chegou à final, levantando a taça em 1994 (tetra) e 2002 (penta), e ficando com o vice-campeonato em 1998 para a França após derrota por 3 a 0.

Posteriormente, foi até as quartas de final nas edições de 2006 (Alemanha), 2010 (África do Sul), 2018 (Rússia) e 2022 (Catar), vencidas por Itália, Espanha, França e Argentina, respectivamente. Desde o penta, o Brasil foi mais longe em 2014, quando foi anfitrião do evento e chegou até a semifinal. Naquela oportunidade, a Seleção Brasileira foi eliminada pela Alemanha, que levantaria a taça na decisão, após uma goleada por 7 a 1, no Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte (MG). Na disputa pelo terceiro lugar, foi derrotado pela Holanda por 3 a 0.

Créditos: LUCIANO NEVES Acesse nosso canal no WhatsApp