Seguro rural perde força no Paraná e acende alerta sobre endividamento no campo
Custos elevados, redução da subvenção federal e cobertura insuficiente têm afastado produtores da contratação de apólices, aponta Sistema FAEP
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A redução na contratação de seguros rurais no Paraná tem acendido um alerta no setor agropecuário diante do aumento das perdas climáticas e do avanço do endividamento no campo. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras mostram que a arrecadação com seguro rural no Estado caiu de R$ 2,3 bilhões em 2022 para R$ 1,9 bilhão em 2025.
O cenário de retração também é registrado em nível nacional. Informações do Ministério da Agricultura e Pecuária apontam que o número de apólices contratadas no Brasil despencou de 82 mil em 2021 para apenas 26 mil em 2025.
Em entrevista ao programa Campo & Companhia, Ana Paula Kowalski, do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP, afirmou que a baixa procura está diretamente ligada à redução de recursos federais para a subvenção do seguro rural, ao aumento no custo das apólices e à diminuição das coberturas oferecidas pelas seguradoras.
Segundo ela, muitos produtores relatam que as indenizações já não conseguem cobrir os custos reais da produção, reduzindo a atratividade do seguro rural justamente em um momento de maior instabilidade climática.
“O produtor continua enfrentando seca, excesso de chuva, geadas e eventos extremos, mas encontra cada vez mais dificuldade para contratar seguro. Além da redução da oferta, o valor das apólices ficou mais caro e a cobertura menor”, explicou.
A técnica também destacou que os recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural frequentemente sofrem contingenciamentos e nem sempre são executados integralmente pelo governo federal.
Outro dado que preocupa o setor é a queda da área agrícola protegida por seguro no Paraná. Em 2021, o estado tinha mais de 3,8 milhões de hectares segurados. Já em 2025, esse número caiu para aproximadamente 1,25 milhão de hectares.
Para o Sistema FAEP, o seguro rural é considerado uma das principais ferramentas de gestão de risco no agronegócio, especialmente diante da frequência cada vez maior de eventos climáticos extremos.
“Temos repetidas perdas, principalmente por falta de chuva, em determinadas regiões do Estado. Geralmente são 15% ou 20% de quebra de safra. Isso vai corroendo a rentabilidade do produtor”, afirmou Ana Paula Kowalski.
Segundo ela, a redução da proteção financeira pode agravar ainda mais o endividamento rural, dificultando o acesso ao crédito e comprometendo a continuidade da atividade agrícola em algumas propriedades.
A entrevista também abordou o Projeto de Lei 2951/2024, que tramita no Congresso Nacional e propõe mudanças estruturais no seguro rural brasileiro. Entre os principais pontos do projeto estão a criação de mecanismos permanentes de financiamento, maior previsibilidade na destinação de recursos e modernização das regras do setor.
A proposta também prevê a criação de um fundo para atender grandes perdas climáticas e ampliar a estabilidade do mercado de seguros agrícolas no país.
Para representantes do setor, o avanço do projeto é considerado estratégico para garantir maior segurança financeira aos produtores rurais e preservar a estabilidade da produção agropecuária diante das incertezas climáticas e econômicas.
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