Bertolucci acusa governo de “sumir” com R$ 100 milhões da Ponte de Guaratuba e cobra explicações sobre obra
Candidato a deputado federal questiona aumento do contrato, restrições para veículos pesados e possível valorização de empreendimentos imobiliários no entorno do Litoral
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O candidato a deputado federal Gabriel Bertolucci elevou o tom das críticas ao governador Ratinho Junior e voltou a questionar a execução da Ponte de Guaratuba. Em vídeos divulgados nas redes sociais, ele afirma que mais de R$ 100 milhões foram acrescentados ao custo original da obra e cobra explicações sobre a destinação dos recursos. Bertolucci também relaciona a ponte a empreendimentos imobiliários associados à família do governador e questiona quem será beneficiado com a valorização do Litoral.
A cobrança central do candidato é sobre a diferença entre o valor inicialmente previsto para a obra e o custo final do contrato, que aliás a Gazeta do Paraná noticiou. O empreendimento foi contratado por R$ 386,9 milhões e, segundo os registros do contrato, sofreu reajustes e aditivos durante a execução. Bertolucci resume a diferença em cerca de R$ 100 milhões e pergunta onde foram aplicados os recursos adicionais.
“Essa pergunta ninguém tem coragem de fazer. Essa ponte, o contrato inicial dela era de R$ 380 milhões. Tiveram diversos aditivos e no final saiu por R$ 480 milhões. R$ 100 milhões a mais”, afirmou.
A diferença de valores é um fato registrado na documentação da obra, mas não significa, por si só, que os recursos tenham sido desviados. Os acréscimos contratuais são atribuídos a reajustes e alterações no projeto, incluindo serviços adicionais e adequações necessárias durante a execução.
O próprio Tribunal de Contas do Paraná identificou questionamentos em sete pontos relacionados a aditivos e estimou em R$ 14,8 milhões os valores que poderiam ser compensados. O DER-PR, responsável pela obra, contesta os apontamentos e sustenta que os procedimentos adotados tiveram justificativas técnicas e jurídicas.
ONDE ESTÃO OS R$ 100 MILHÕES?
É justamente a diferença entre o valor original e o custo final que Bertolucci utiliza como principal argumento de denúncia.
O candidato afirma que a ponte se transformou em um dos principais símbolos da atual gestão estadual, especialmente após a inauguração, que reuniu o governador Ratinho Junior, o então secretário de Infraestrutura Sandro Alex e outras autoridades. Para Bertolucci, a utilização política da obra aumenta a responsabilidade de explicar detalhadamente quanto foi gasto e por quais motivos.
“Essa ponte é uma conquista, mas a gente não pode esquecer esses R$ 100 milhões. A gente tem que questionar para onde foi esse recurso”, declarou.
A Ponte de Guaratuba foi entregue em 1º de maio de 2026 e é considerada uma das principais obras de infraestrutura do governo estadual. O projeto encerrou a dependência histórica da travessia por ferryboat entre Guaratuba e Matinhos.
RESTRIÇÃO A CAMINHÕES VIRA ALVO DE CRÍTICA
Outro ponto explorado por Bertolucci é a circulação de veículos pesados.
Em seus vídeos, o candidato afirma que a ponte seria “disfuncional” porque não permitiria a passagem de caminhões e carretas. A afirmação, porém, precisa ser contextualizada: caminhões podem utilizar a estrutura, mas há restrições de peso, comprimento e número de eixos.
Pelas regras estabelecidas para o sistema viário da região, podem circular veículos de carga dentro dos limites definidos pelo DER-PR. Veículos que ultrapassam essas características precisam utilizar rotas alternativas.
Para Bertolucci, as restrições colocam em dúvida a capacidade da obra de cumprir uma das funções atribuídas a ela: ampliar a logística e estimular o desenvolvimento econômico do Litoral.
A discussão ganhou dimensão política justamente porque a ponte é apresentada pelo governo estadual como um investimento estratégico para a região. O governo também relaciona a estrutura a um novo ciclo de desenvolvimento turístico e econômico no Litoral.
CANDIDATO RELACIONA PONTE A NEGÓCIOS IMOBILIÁRIOS
No segundo vídeo, Bertolucci amplia a denúncia e questiona possíveis efeitos da infraestrutura sobre empreendimentos privados.
Ele cita um resort em Garuva, no Norte de Santa Catarina, próximo ao Paraná, e também retoma questionamentos envolvendo o Tayayá Porto Rico Residence & Resort.
O candidato argumenta que obras públicas capazes de facilitar o acesso ao Litoral podem provocar valorização imobiliária e beneficiar empreendimentos privados instalados na região.
A relação, entretanto, precisa ser tratada como questionamento político, e não como prova de favorecimento. Não há, até o momento, demonstração de que a Ponte de Guaratuba tenha sido construída para beneficiar determinado empreendimento ou empresa.
O próprio governo estadual afirma que a ponte integra um conjunto de investimentos destinados a ampliar a infraestrutura e estimular o turismo no Litoral. Entre os projetos anunciados estão obras de revitalização urbana, melhorias viárias e investimentos no setor turístico.
“POR QUE FIZERAM A PONTE?”
Bertolucci questiona diretamente a finalidade econômica da obra e associa a ponte à expansão de empreendimentos privados.
“Por que o senhor fez a ponte? Para levar desenvolvimento para o Litoral?”, pergunta o candidato no vídeo.
Na sequência, ele menciona novos projetos imobiliários e sustenta que continuará investigando a relação entre grandes obras públicas e negócios privados.
A crítica ocorre em meio à disputa eleitoral pelo Governo do Paraná, na qual as obras da administração Ratinho Junior são utilizadas como principal argumento político pelo grupo que apoia a candidatura de Sandro Alex. A Ponte de Guaratuba aparece entre os principais símbolos desse legado.
CANDIDATO DIZ QUE NÃO VAI PARAR
Durante as gravações, Bertolucci também afirma que já sofreu medidas judiciais em razão das denúncias feitas contra integrantes da família do governador e que decisões recentes permitiram a retomada das manifestações.
“Agora que a censura caiu, que tiraram a mordaça de mim, eu vou continuar mostrando as falcatruas dessa família”, afirmou.
As acusações são de responsabilidade do candidato e integram sua estratégia eleitoral. Até o momento, não existe decisão que reconheça como comprovada a acusação de que os R$ 100 milhões acrescidos ao contrato da Ponte de Guaratuba tenham sido desviados ou destinados a integrantes do grupo político do governador.
O que está documentado é que o contrato passou de R$ 386,9 milhões e sofreu alterações durante a execução. Também existem questionamentos do Tribunal de Contas sobre parte dos aditivos, com estimativa de R$ 14,8 milhões em valores potencialmente passíveis de compensação.
A denúncia apresentada por Bertolucci coloca novamente a Ponte de Guaratuba no centro do debate político e levanta uma cobrança que deverá ser respondida com documentos: quais foram exatamente os motivos dos aditivos, quanto cada alteração acrescentou ao contrato e quais serviços justificaram o aumento do custo da obra.
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