Chuva de setembro já supera média histórica em 31 cidades do Paraná
Temporais desde o dia 9 provocaram alagamentos, deslizamentos e tornados; Defesa Civil contabiliza mais de 22 mil pessoas afetadas e quatro mortes
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As chuvas que atingem o Paraná desde a semana passada já fizeram setembro superar a média climatológica de precipitação em pelo menos 31 estações meteorológicas do Estado. O levantamento do Simepar mostra que a sequência de temporais provocou acumulados acima do esperado para todo o mês em diferentes regiões, antes mesmo da segunda quinzena de setembro.
O cenário de chuva volumosa veio acompanhado de ocorrências graves. Segundo a Defesa Civil, 80 municípios registraram algum tipo de dano desde quarta-feira (9), afetando 22.176 pessoas. O balanço inclui moradores que tiveram as casas atingidas, ficaram sem energia elétrica, água ou comunicação, além daqueles que precisaram deixar seus imóveis.
Até a manhã desta terça-feira (15), 3.022 residências haviam sido danificadas e outras 18 foram destruídas. Ao todo, 2.587 pessoas precisaram deixar suas casas. Desse grupo, 2.182 ficaram desalojadas, acolhidas por familiares ou amigos, e 405 foram encaminhadas para abrigos públicos.
A chuva também deixou quatro mortos e duas pessoas desaparecidas. As vítimas fatais são três integrantes de uma família em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, e um homem em Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba.
VOLUME DE CHUVA PASSOU DA MÉDIA
O Simepar informou que, após as chuvas registradas no fim de semana, 31 estações meteorológicas já haviam ultrapassado a média climatológica de setembro. Entre os pontos que superaram a média estão estações de Antonina, Curitiba, Ponta Grossa, Cerro Azul, Campo Mourão, Londrina, Lapa, Jaguariaíva, Telêmaco Borba, Santo Antônio da Platina e Loanda.
A situação foi agravada pelos volumes registrados entre sexta-feira (11) e domingo (13). Na sexta, Antonina acumulou 86,8 milímetros, Curitiba teve 62,8 milímetros e Ponta Grossa chegou a 60,6 milímetros.
No sábado, os maiores volumes foram registrados em Morretes, com 89,2 milímetros, Cerro Azul, com 76,8 milímetros, e novamente Antonina, com 65 milímetros. No domingo, Guaraqueçaba recebeu 42,6 milímetros e Maringá, 40,6 milímetros.
A sequência de chuva mantém o solo encharcado e aumenta o risco de novos deslizamentos, principalmente em áreas de encosta e regiões onde já foram registrados danos estruturais.
UNIÃO DA VITÓRIA ENFRENTA ALAGAMENTOS
Entre os municípios mais afetados está União da Vitória, no Sul do Paraná. A cidade enfrenta alagamentos provocados pela elevação do nível do Rio Iguaçu.
O nível considerado normal do rio é de aproximadamente 3,5 metros. Na tarde de segunda-feira (14), a marca chegou a 6,275 metros. Na manhã desta terça, às 8h, estava em 6,267 metros, indicando uma pequena redução.
Mesmo com o início da baixa, a água ainda provoca impactos em diferentes áreas do município. A prefeitura estima pelo menos 1,8 mil pessoas desalojadas e outras 400 em abrigos públicos.
Também há registros de alagamentos em Castro e Piraí do Sul, nos Campos Gerais, São Mateus do Sul, no Sul do Estado, e municípios da Região Metropolitana de Curitiba.
QUATRO MORTES E DOIS DESAPARECIDOS
Em Ponta Grossa, três integrantes de uma família morreram depois que um barranco deslizou sobre uma residência durante um temporal na manhã de quinta-feira (10).
As vítimas eram Kauan da Silva Contador, de 21 anos; Jaqueline Gabriela de Lima Andrade, de 20 anos; e Vinícius Hendrick de Lima Machado, de 5 anos.
Segundo as autoridades, os três estavam dormindo no mesmo quarto quando foram atingidos pela terra, pela lama e pelos escombros da casa. Uma parede e parte do telhado desabaram com o impacto do deslizamento.
Em Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, o corpo de um homem foi localizado depois que ele desapareceu ao tentar atravessar, de carro, uma ponte que estava submersa. O veículo foi encontrado dentro do Rio Ribeira.
Outra pessoa que estava com ele continua desaparecida.
O segundo desaparecimento ocorre em Tunas do Paraná, também na Região Metropolitana. Um morador da comunidade das Pacas saiu de casa para tentar consertar a tubulação de uma nascente e desapareceu por volta das 18h.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, o caminho exigia a travessia de uma ponte tomada pela correnteza. Como o homem não retornou, moradores da própria comunidade iniciaram as buscas. Equipes do Grupo de Operações de Socorro Tático (Gost) foram deslocadas para auxiliar na procura.
RODOVIAS CONTINUAM INTERDITADAS
Os temporais também provocaram danos na infraestrutura rodoviária do Paraná. Há trechos interditados em diferentes regiões, principalmente no Vale do Ribeira, entre Curitiba e Adrianópolis.
A situação é considerada mais crítica em áreas onde ocorreram deslizamentos, erosões e danos em pontes e pistas. O isolamento de comunidades dificulta o deslocamento de moradores e o trabalho das equipes de emergência.
A Defesa Civil e os órgãos de trânsito seguem monitorando as condições das rodovias e dos municípios atingidos.
TEMPORAIS FORAM ACOMPANHADOS POR TORNADOS
A onda de instabilidade que atingiu o Estado também provocou a formação de tornados em diferentes regiões. O Simepar confirmou ocorrências associadas a supercélulas de tempestade, acompanhadas de ventos fortes, granizo e intensa precipitação.
Os fenômenos foram registrados em um período de forte instabilidade provocado pela atuação de uma frente fria e pelas condições atmosféricas favoráveis ao desenvolvimento de tempestades severas.
Depois dos temporais, uma massa de ar frio avançou pelo Paraná e reduziu gradualmente as temperaturas. O Simepar prevê enfraquecimento das chuvas e queda nos termômetros ao longo desta semana.
Apesar da melhora gradual, a sequência de precipitações mantém a preocupação em áreas já atingidas. Com o solo saturado, novos episódios de chuva podem aumentar o risco de deslizamentos, alagamentos e problemas em estradas.
O Estado segue, portanto, em alerta para os efeitos acumulados de uma das primeiras grandes ondas de chuva da primavera de 2026, com dezenas de municípios ainda contabilizando prejuízos e milhares de pessoas afetadas.
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