Créditos: Secom/GO
PSD recalcula rota: Sem Ratinho Junior, Caiado vira aposta contra Lula em 2026
Com a saída do governador do Paraná, que liderava as pesquisas internas com 41% contra Lula, Ronaldo Caiado assume o protagonismo
A desistência do governador do Paraná, Ratinho Junior, de disputar a Presidência da República abriu espaço para que o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), ganhe força como principal nome do partido para a eleição deste ano.
Caiado já integrava o grupo de possíveis candidatos do PSD, ao lado de Ratinho Junior e do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. O projeto era articulado pelo presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, que buscava viabilizar uma candidatura própria ao Palácio do Planalto.
Entre os três, Ratinho Junior era visto como o nome mais competitivo internamente, mesmo sem confirmar publicamente a intenção de disputar. O desempenho nas pesquisas eleitorais reforçava essa posição.
Levantamento do Datafolha divulgado no início do mês mostrava o paranaense com 41% em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que aparecia com 46%. O resultado indicava um cenário próximo de empate técnico.
Já Ronaldo Caiado registrava 36% contra 46% de Lula, enquanto Eduardo Leite aparecia com 34% no mesmo cenário. Nos levantamentos de primeiro turno, Ratinho também tinha desempenho superior, com 7% das intenções de voto, contra 4% de Caiado e 3% de Leite.
Com a saída do governador do Paraná, o PSD passa a reavaliar a estratégia eleitoral. A eventual candidatura de Caiado muda o perfil da disputa dentro do partido.
Enquanto Ratinho Junior tinha potencial de diálogo com eleitores de centro, Caiado é visto como um nome mais alinhado à direita, com forte ligação com o agronegócio, principalmente na região Centro-Oeste.
Esse posicionamento pode levar o governador de Goiás a disputar espaço com o campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A estratégia seria buscar votos nesse segmento, especialmente diante da rejeição enfrentada por nomes associados diretamente ao bolsonarismo.
Por outro lado, esse cenário impõe desafios. Caiado terá que equilibrar seu posicionamento político, já que foi apoiador de Bolsonaro no passado, mas hoje mantém um distanciamento tático.
Outro fator que entra no radar é o movimento de outros possíveis candidatos. O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), é citado como uma variável no cenário, com possibilidade de alianças que podem influenciar a disputa.
Dentro do PSD, também há preocupação com o tom da campanha. Kassab defende uma candidatura que não faça enfrentamento direto ao governo Lula, já que o partido ocupa ministérios na atual gestão federal.
Esse ponto pode gerar divergências internas, já que Caiado tem histórico de posições mais críticas ao PT.
Com a nova configuração, o futuro político de Eduardo Leite também entra em discussão. Ele pode buscar uma vaga ao Senado ou até compor uma eventual chapa como candidato a vice.
A decisão de Ratinho Junior de não disputar a Presidência pegou parte da cúpula do partido de surpresa. Nos bastidores, ele vinha sinalizando dúvidas sobre a candidatura, influenciado pelo desempenho nas pesquisas e por questões pessoais.
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A decisão final foi tomada após reunião com a família no domingo (22) e comunicada a Gilberto Kassab na segunda-feira (23). Além de desistir da corrida presidencial, Ratinho também descartou disputar o Senado.
Com isso, o governador deve permanecer no cargo até o fim do mandato e, posteriormente, avaliar um retorno à iniciativa privada.
