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Romanelli faz chantagem eleitoral ao vincular continuidade de obras à derrota de Moro

Durante debate sobre a fala de Norberto Ortigara, deputado sugere que eventual governo de Sérgio Moro poderia não dar continuidade a convênios e investimentos anunciados pelo Estado; declaração provocou reação nos bastidores da Alep

Por Gazeta do Paraná

Romanelli faz chantagem eleitoral ao vincular continuidade de obras à derrota de Moro Créditos: Antonio More/Alep

O debate sobre a capacidade do Governo do Paraná de cumprir os bilhões de reais em investimentos prometidos aos municípios ganhou contornos eleitorais nesta segunda-feira (1º), durante sessão da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Ao reagir às críticas feitas por deputados sobre as declarações do secretário da Fazenda, Norberto Ortigara, o deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD) associou a continuidade dos convênios estaduais à sucessão do governador Ratinho Junior e sugeriu que uma eventual vitória do senador Sérgio Moro (União Brasil) poderia significar a interrupção dos investimentos atualmente em andamento.

A declaração ocorreu em meio à repercussão das falas de Ortigara durante a audiência pública de prestação de contas do primeiro quadrimestre. Na semana passada, o secretário reconheceu as dificuldades de executar simultaneamente todas as demandas apresentadas pelos municípios e afirmou que o Estado não teria condições de atender tudo dentro dos prazos desejados.

Desde então, a oposição e integrantes do chamado bloco independente passaram a questionar a capacidade do governo de honrar os compromissos assumidos com as prefeituras.

Foi justamente nesse contexto que Romanelli decidiu partir para o ataque. Ao responder ao deputado Delegado Jacovós (PL), que vinha sustentando que o governo não conseguirá cumprir tudo o que prometeu aos prefeitos, o parlamentar do PSD elevou o tom e levou o debate para o campo eleitoral.

“Fico alerta aqui. O que vem por aí, se porventura o governo do qual o deputado Jacovós já se tornou porta-voz vencesse as eleições, é um cancelamento amplo, geral e irrestrito de todos os convênios que estão sendo feitos com os municípios”, afirmou da tribuna.

A fala provocou reação imediata entre parlamentares e acabou transformando uma discussão sobre orçamento e execução financeira em um dos primeiros confrontos abertos da disputa pelo Palácio Iguaçu em 2026.

Da prestação de contas à sucessão estadual

A controvérsia começou após as declarações de Norberto Ortigara na audiência pública da semana passada.

Durante a sessão desta segunda-feira, Jacovós voltou a afirmar que a fala do secretário representou uma admissão de que o governo não terá condições de cumprir todas as promessas feitas aos municípios.

Segundo o parlamentar, prefeitos já estariam sendo chamados pela Secretaria das Cidades para redefinir prioridades entre as obras anteriormente anunciadas.

“Dos projetos prometidos, escolham três. Isso está acontecendo porque existe uma diferença entre aquilo que foi prometido e aquilo que efetivamente pode ser pago”, afirmou.

Jacovós também classificou as declarações de Ortigara como um “sincericídio” e sustentou que muitas prefeituras terão dificuldades para cumprir exigências técnicas dentro dos prazos estabelecidos pelo governo.

Foi diante desse cenário que Romanelli passou a relacionar as críticas da oposição ao projeto político liderado por Sérgio Moro.

O discurso que atingiu os prefeitos

Embora o deputado tenha apresentado números para defender a saúde financeira do Estado, incluindo a informação de que o Paraná possui mais de R$ 31 bilhões em caixa, o trecho que mais repercutiu foi justamente aquele em que vinculou a continuidade dos investimentos à sucessão estadual.

Ao afirmar que um eventual governo ligado a Moro poderia promover um “cancelamento amplo, geral e irrestrito” dos convênios, Romanelli acabou criando um cenário político que colocou os prefeitos no centro da disputa.

Na prática, a mensagem transmitida foi simples: os investimentos atualmente prometidos pelo governo Ratinho Junior estariam mais seguros sob a continuidade do grupo político que hoje ocupa o Palácio Iguaçu.

A declaração foi interpretada por parlamentares nos corredores da Assembleia como uma forma de pressão política dirigida aos gestores municipais que aguardam a liberação de recursos para obras de pavimentação, infraestrutura urbana e outros investimentos financiados pelo Estado.

Governo tenta conter crise

O líder do governo na Assembleia, Hussein Bakri (PSD), também entrou no debate para defender a administração estadual.

Bakri negou que exista qualquer risco de interrupção dos investimentos e afirmou que parte da polêmica decorre da diferença entre autorizar uma obra e efetivamente concluí-la antes do período eleitoral. “Não vai sair tudo em tempo eleitoral. Talvez seja isso que o secretário quis dizer”, afirmou.

Segundo ele, existem municípios que ainda estão elaborando projetos ou em fase de licitação, o que naturalmente impede a conclusão de todas as obras antes das eleições.

O líder governista também anunciou que o secretário das Cidades, Fernando Giacobo, poderá comparecer à Assembleia para prestar esclarecimentos sobre os convênios e o andamento das obras. "Nós vamos trazer o Giacobo aqui. Não tem o que esconder”, declarou.

Convênios entram definitivamente na disputa de 2026

A sessão desta segunda-feira mostrou que a polêmica iniciada pelas declarações de Norberto Ortigara deixou de ser apenas uma discussão técnica sobre orçamento.

O tema passou a ocupar o centro da disputa política que começa a se desenhar para a sucessão de Ratinho Junior.

Ao sugerir que a eventual eleição de um grupo adversário poderia comprometer a continuidade dos convênios estaduais, Romanelli transformou investimentos públicos em argumento político e colocou os prefeitos diante de um recado claro: a disputa de 2026 já começou.

Mais do que discutir números, caixa ou cronogramas de obras, o debate revelou que os bilhões de reais prometidos aos municípios passaram a integrar a narrativa eleitoral que deverá marcar os próximos meses da política paranaense.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp