Créditos: Jose Cruz/Agência Brasil
Lula critica tarifas dos EUA em artigo e diz que Brasil "não será derrotado com base em mentiras"
Presidente publicou texto no jornal norte-americano The Washington Post, rebateu justificativas do governo dos Estados Unidos e afirmou que medidas prejudicam os dois países
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou neste domingo (26) um artigo no jornal norte-americano The Washington Post em que critica a política tarifária adotada pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. No texto, Lula afirma que as medidas são injustas, terão impactos negativos para as economias dos dois países e sustenta que o Brasil "não será derrotado com base em mentiras".
O presidente também acusou o governo norte-americano de tentar interferir na política brasileira e nas eleições deste ano por meio de uma postura que classificou como ideológica. O conteúdo do artigo foi divulgado, em português, nas redes sociais de Lula.
Lula critica suposta interferência política
No artigo, o presidente afirma que a relação entre Brasil e Estados Unidos não pode ser utilizada para atender interesses políticos.
"Tentativas de impor amarras ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não se sustentam. Nunca antes um secretário de Estado norte-americano havia qualificado o Brasil como um país não-amigo. Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras", escreveu.
A declaração faz referência ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que, em junho, afirmou que o Brasil deixou de integrar o grupo de países considerados aliados de Washington na América Latina.
Governo diz que tarifas são um "erro estratégico"
Lula também voltou a defender que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos favorece os norte-americanos, argumento utilizado pelo governo brasileiro desde o início da disputa comercial.
Segundo o presidente, as tarifas impostas pelos Estados Unidos poderão desorganizar cadeias produtivas e levar empresas brasileiras a buscar novos fornecedores em outros mercados.
"No médio prazo, essas tarifas vão levar à desorganização de cadeias produtivas que hoje se encontram densamente integradas e as empresas brasileiras vão substituir fornecedores norte-americanos por outros parceiros", afirmou.
O presidente classificou a política tarifária como um "erro estratégico" e disse que diversos setores da economia norte-americana dependem de matérias-primas e produtos brasileiros.
"Além de injustas, as novas tarifas são um erro estratégico: elas prejudicam a economia dos Estados Unidos e a parceria com o Brasil. Diversos segmentos industriais dos Estados Unidos dependem de insumos brasileiros. Alimentos, calçados, têxteis, móveis, autopeças e vários outros produtos chegarão mais caros ao consumidor norte-americano", escreveu.
Tarifas atingem diversos setores
A nova rodada de tarifas foi anunciada em 15 de julho pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que aplicou uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros.
A medida atingiu exportações de ferro e aço, açúcar, etanol, vestuário, calçados, produtos farmacêuticos, máquinas agrícolas, equipamentos elétricos e outros bens manufaturados.
Na ocasião, o órgão norte-americano justificou a decisão afirmando que determinadas práticas adotadas pelo Brasil restringiriam ou onerariam o comércio de agricultores, trabalhadores, exportadores e empresas dos Estados Unidos.
Defesa do Pix e da legislação brasileira
No artigo, Lula também defendeu políticas públicas brasileiras que foram alvo de críticas recentes do governo norte-americano, como o sistema de pagamentos Pix, a legislação voltada ao combate de crimes nas redes sociais e as ações de preservação ambiental e enfrentamento ao desmatamento.
Ao encerrar o texto, o presidente reiterou que o Brasil pretende manter o diálogo diplomático, mas afirmou que a relação entre os países deve ser baseada no respeito mútuo.
"Respeitamos a soberania de outros Estados e negociamos com todos aqueles que saibam respeitar a nossa. A reciprocidade é a base de toda relação entre nações e temos mecanismos apropriados para assegurá-la", concluiu.
