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Reviravolta: voto do exterior esmaga a esquerda no Peru e direita pode virar no final

A matemática que pode mudar tudo: Lima, Cusco e o exterior

Por Oswaldo Eustáquio

Reviravolta: voto do exterior esmaga a esquerda no Peru e direita pode virar no final Créditos: Reprodução

 

Os votos que vieram de fora do Peru estão derrubando a narrativa da esquerda.

Com quase 96% das atas apuradas no território nacional, Roberto Sánchez, candidato de Juntos por el Perú, abriu uma vantagem mínima sobre Keiko Fujimori — 50,06% contra 49,94%. Uma diferença de cerca de 20 mil votos num universo de quase 19 milhões.

Isso é menos que uma fração de ponto percentual.

Agora chegou o voto exterior. E ele conta uma história completamente diferente.


Os números que a esquerda não queria ver

Entre os peruanos que vivem fora do país, Keiko Fujimori está destruindo Sánchez.

Nos votos do exterior já contabilizados, a candidata da direita tem 56% contra menos de 44% do candidato da esquerda. No continente americano, a proporção é ainda mais brutal: 68% para Keiko, 31% para Sánchez.

Pensa no que isso significa.

Os peruanos que saíram do Peru — que fugiram da pobreza, da insegurança, do fracasso do Estado — votaram esmagadoramente na direita. Eles conhecem o que a esquerda faz quando chega ao poder. Viveram na pele. E disseram não.


A matemática que pode mudar tudo: Lima, Cusco e o exterior

Vamos aos números concretos. Porque é aqui que a eleição pode virar.

Em Lima — o maior colégio eleitoral do Peru — faltam ainda quase 4% das atas a serem apuradas. No ritmo atual, se o fluxo se mantiver, Keiko deve fazer na capital cerca de 50 mil votos a mais que Sánchez nessa fatia que falta. Cinquenta mil. Numa eleição onde a diferença hoje é de 20 mil votos.

Isso já inverte o resultado.

A esquerda tem um trunfo: Cusco, reduto histórico do voto andino e popular. Faltam cerca de 10% das atas da região. Se Sánchez manter o desempenho que teve lá, pode colher em torno de 20 mil votos de vantagem sobre Keiko nesse bloco restante.

Faz a conta.

50 mil de Keiko em Lima. Menos 20 mil de Sánchez em Cusco. Saldo líquido potencial para a direita: 30 mil votos. Numa eleição onde a diferença atual é de 20 mil votos favorável à esquerda.

E ainda não entrou o voto do exterior.

Com 56% no exterior já apurado, e com a diáspora peruana votando 68% por Keiko nas Américas, o saldo do voto estrangeiro pode ser decisivo. Os votos que faltam lá fora podem somar mais alguns milhares ao lado de Keiko — e fechar o cerco sobre a esquerda.

A direita não perdeu. A disputa ainda não acabou.


E tem os presos

Não esqueça: 11 pessoas foram detidas no domingo suspeitas de adulterar cédulas e atas eleitorais em Los Olivos e San Martín de Porres — dois distritos de Lima.

Entre os detidos, um personeiro ligado ao partido de Sánchez.

As cédulas adulteradas tinham riscos no símbolo do partido da esquerda. Alguém estava tentando invalidar votos. A investigação segue. Os mandantes ainda não foram identificados.

Numa eleição decidida por 20 mil votos, qualquer ata fraudada tem peso.


O que está em jogo para a América Latina

O Peru não é uma eleição qualquer.

É a fronteira entre dois modelos de civilização que disputam o continente. De um lado, a direita que aposta no livre mercado, na segurança, na soberania nacional. Do outro, uma esquerda que em cada país onde chegou ao poder deixou rastro de miséria, censura e autoritarismo.

Argentina resistiu com Milei. El Salvador resistiu com Bukele. O Brasil está de olho.

Se Keiko confirmar a virada — e os números do exterior apontam nessa direção — o Escudo das Américas se fortalece. A onda que começou com a queda do petismo no Brasil em 2016 continua.

Se a esquerda vencer, mesmo com suspeitas de fraude, com investigados soltos e com a apuração sendo contestada, o recado que o continente recebe é outro.

E nós, brasileiros, sabemos exatamente como esse recado termina.


Aqui o jornalista Oswaldo Eustáquio, do alto do meu segundo exílio — por enquanto.

Créditos: Oswaldo Eustáquio Acesse nosso canal no WhatsApp