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Quatro dias no escuro: apagão em Candói reacende críticas à Copel

Falta de luz atingiu distritos de Candói, provocou perdas para famílias e produtores rurais e reacendeu críticas à qualidade do serviço prestado pela Copel

Por Gazeta do Paraná

Quatro dias no escuro: apagão em Candói reacende críticas à Copel Créditos: Divulgação

Imagine ficar quatro dias sem energia elétrica. Sem conseguir conservar alimentos, armazenar medicamentos que dependem de refrigeração ou manter as atividades da propriedade rural. Essa foi a realidade enfrentada por moradores de comunidades do interior de Candói, na região central do Paraná, após o forte temporal com granizo que atingiu o município na última terça-feira (30). O episódio volta a colocar a Copel no centro das críticas por interrupções prolongadas no fornecimento de energia, especialmente em áreas rurais.

Distritos como Barra Mansa e Despraiado ficaram entre os mais afetados. Em algumas localidades, a energia só foi totalmente restabelecida no sábado (4), depois de até quatro dias de espera. Durante esse período, famílias acumularam prejuízos materiais e enfrentaram dificuldades para manter a rotina.

Em Barra Mansa, moradores relataram perdas de alimentos e de medicamentos que precisavam permanecer refrigerados. Uma das situações mais delicadas foi vivida por uma moradora diabética, que perdeu sua insulina após dias sem energia. Além dos medicamentos, alimentos armazenados na geladeira também precisaram ser descartados.

No distrito de Despraiado, uma família perdeu cerca de 30 quilos de carne que estavam guardados para a comemoração do aniversário de um filho. Sem energia para manter os freezers funcionando, todo o alimento acabou indo para o lixo.

Os impactos vão além das residências. Em um município com forte presença da agropecuária, produtores rurais também convivem com prejuízos. A interrupção do fornecimento de energia afeta diretamente a cadeia leiteira, já que o leite precisa permanecer refrigerado logo após a ordenha para garantir sua qualidade. Sem eletricidade, há risco de perda da produção, além de dificuldades para o funcionamento de equipamentos utilizados nas propriedades.

A indignação dos moradores ganhou força nas redes sociais. Entre as reclamações, muitos destacam que Candói abriga importantes usinas hidrelétricas e contribui para a geração de energia elétrica do país, mas, ainda assim, a população enfrenta apagões frequentes sempre que temporais atingem a região.

As críticas surgem em um momento em que episódios semelhantes vêm sendo registrados em diferentes municípios paranaenses. Desde a privatização da Copel, prefeituras, entidades e consumidores têm denunciado recorrentes problemas relacionados ao fornecimento de energia, principalmente no interior do Estado, onde interrupções prolongadas afetam moradores, produtores rurais e o comércio local.

Em nota, a Copel informou que o temporal provocou danos significativos na rede elétrica, incluindo defeitos em transformadores e outros equipamentos. Segundo a companhia, equipes trabalharam de forma ininterrupta desde o início das ocorrências para restabelecer gradativamente o fornecimento de energia.

No início da noite de sábado, a empresa informou que o serviço havia sido normalizado também no distrito de Barra Mansa. A companhia afirmou ainda que os danos provocados pelas fortes chuvas exigiram intervenções complexas para a reconstrução da rede.

Apesar da normalização do serviço, o episódio deixa novamente em evidência a vulnerabilidade do sistema elétrico em áreas rurais e reforça a cobrança por investimentos que reduzam a frequência e a duração dos apagões. Para quem passou dias sem luz, os prejuízos permanecem mesmo após o retorno da energia.

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