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Professor Lemos acusa governo Ratinho de descumprir piso do magistério e denuncia perdas salariais de até 76%

Deputado do PT afirma que professores da rede estadual recebem salários muito inferiores aos de outras carreiras do Executivo e critica terceirizações e demora no descongelamento das carreiras.

Por Eliane Alexandrino

Professor Lemos acusa governo Ratinho de descumprir piso do magistério e denuncia perdas salariais de até 76% Créditos: Divulgação

O deputado estadual Professor Lemos (PT) voltou a subir o tom contra a política educacional do Governo do Paraná. Durante discurso na tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), nesta segunda-feira (15), o parlamentar acusou a gestão do governador Ratinho Junior de descumprir a legislação federal do piso do magistério e de promover um processo contínuo de desvalorização dos profissionais da educação.

Segundo o deputado, professores e funcionários da rede estadual enfrentam perdas salariais expressivas quando comparados a outras categorias do Poder Executivo. Lemos afirmou que os docentes recebem até 76% menos que servidores de outras carreiras estaduais, situação que, segundo ele, evidencia o abandono da educação pública.

"O governador do Paraná não paga o que prevê a legislação. O Paraná está pagando R$ 3.773,70 para 40 horas. Há uma diferença enorme. Se o governo cumprir a lei federal, sancionada pelo presidente Lula, vai equiparar o salário dos professores do Paraná ao dos demais servidores públicos do Poder Executivo", declarou.

Durante o pronunciamento, o parlamentar apresentou números que, segundo ele, demonstram a defasagem da carreira do magistério. De acordo com Lemos, professores em início de carreira recebem, em média, 64% menos do que servidores de outros quadros do Executivo. No topo da carreira, a diferença chegaria a 76%.

Além das críticas aos salários, o deputado também direcionou ataques à política de contratação adotada pelo governo estadual. Segundo ele, a redução dos concursos públicos e o avanço da terceirização têm contribuído para a precarização das condições de trabalho nas escolas.

"Chegou ao ponto de não se fazer mais concurso para funcionário de escola. Terceirizou-se a contratação de funcionários. E esses terceirizados ganham ainda menos", afirmou.

Lemos também destacou o crescimento da contratação de professores temporários na rede estadual. Segundo o parlamentar, mais da metade dos profissionais da educação atualmente trabalha por meio de contratos temporários, sem as mesmas garantias de carreira dos servidores efetivos.

"Mais da metade são contratos temporários. Não têm ascensão na carreira e recebem esse salário miserável do início da carreira", criticou.

Outro tema abordado foi a aplicação da Lei Complementar nº 226/2026, que restabeleceu a contagem do tempo de serviço e autorizou a retomada de benefícios congelados durante a pandemia. O deputado afirmou que o governo estadual ainda não implementou integralmente os efeitos da legislação para os profissionais da educação.

"O governo federal sancionou a lei do descongela em janeiro, mas o governo estadual ainda não cumpriu o que a lei determina. Precisa descongelar", cobrou.

Durante o discurso, o parlamentar também relacionou a desvalorização da categoria à predominância feminina na educação básica. Segundo ele, 83% dos profissionais da área são mulheres, o que reforçaria desigualdades históricas na remuneração e valorização profissional.

Ao encerrar a fala, Professor Lemos pediu apoio dos demais deputados aos projetos apresentados pela bancada de oposição voltados à valorização dos trabalhadores da educação e à equiparação salarial com outras carreiras do Executivo estadual.

As declarações ocorrem em meio ao debate sobre reajustes, carreira e condições de trabalho dos profissionais da educação pública do Paraná, tema que deve permanecer no centro das discussões na Assembleia Legislativa ao longo do segundo semestre.

Foto: Divulgação

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