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Privatizado e milionário, aeroporto de Foz fecha pista duas vezes por buracos e deixa passageiros no prejuízo

Voos desviados, atrasos e viagens extras até Cascavel expõem falhas na pista; enquanto concessionária e companhias alegam questões técnicas, custos e transtornos recaem sobre os passageiros

Por Gazeta do Paraná

Privatizado e milionário, aeroporto de Foz fecha pista duas vezes por buracos e deixa passageiros no prejuízo Créditos: AEN

A pista do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu/Cataratas voltou a ser interditada neste sábado (7) após o surgimento de um buraco no pavimento, obrigando a suspensão temporária de pousos e decolagens e alterando a rotina de passageiros e companhias aéreas. A paralisação durou cerca de duas horas para a realização de reparos emergenciais, segundo a administração do terminal, e resultou em atrasos e desvios de aeronaves.

Um voo procedente de Congonhas, em São Paulo, com destino a Foz, precisou alternar a rota e pousar no Aeroporto Regional do Oeste, em Cascavel, a aproximadamente 140 quilômetros. Outros voos registraram atrasos enquanto equipes trabalhavam na recuperação do asfalto. Passageiros relataram espera prolongada e mudanças de última hora na logística de transporte terrestre para concluir o trajeto até a cidade.

O fechamento ocorreu poucos dias depois de outra interdição pelo mesmo motivo. No início da semana, a pista já havia sido parcialmente bloqueada para manutenção em razão de problemas semelhantes no pavimento. A repetição do cenário em um intervalo curto chamou a atenção para as condições estruturais do principal aeroporto do oeste do Paraná, responsável por receber parte significativa do fluxo turístico que visita as Cataratas do Iguaçu e a região da tríplice fronteira.

O terminal integra o conjunto de aeroportos concedidos à iniciativa privada no ciclo recente de leilões federais. Antes administrado pela Infraero, o aeroporto passou à gestão privada por contrato de longo prazo, dentro de um bloco que também incluiu o Aeroporto Internacional Afonso Pena, em Curitiba, e o Aeroporto de Londrina – Governador José Richa, em Londrina. A concessão foi acompanhada de anúncios de ampliação de capacidade, modernização de estruturas e requalificação operacional.

Nos últimos anos, o aeroporto de Foz passou por obras de expansão do terminal de passageiros e de melhorias na pista, com promessa de aumento da capacidade para aeronaves de maior porte e crescimento do número de voos nacionais e internacionais. Em 2025, a concessionária informou a inclusão do ativo em uma operação financeira bilionária envolvendo a transferência do controle da carteira de aeroportos para um grupo estrangeiro, movimento que abrange diversos terminais no país.

Apesar desse ciclo de investimentos e mudanças de gestão, a operação desta semana mostrou que problemas estruturais no pavimento continuam a impactar a rotina do aeroporto. Em aviação, qualquer irregularidade no asfalto pode representar risco à segurança das operações, o que leva à interdição imediata do local afetado até a correção do defeito. Na prática, isso significa suspensão de pousos, reprogramação de decolagens e, quando necessário, o redirecionamento das aeronaves para cidades próximas.

Cascavel acabou funcionando como alternativa operacional. O aeroporto local recebeu parte dos voos desviados e concentrou o desembarque de passageiros que originalmente chegariam a Foz. A partir dali, companhias aéreas e usuários precisaram organizar transporte terrestre para completar o percurso, o que acrescentou horas à viagem e gerou efeito cascata nos horários das demais rotas do dia.

O episódio ocorre em plena alta temporada de turismo, quando a cidade registra aumento no fluxo de visitantes e maior ocupação hoteleira. Com a pista fechada duas vezes na mesma semana, a malha aérea ficou sujeita a ajustes sucessivos, expondo a dependência da região de um único terminal para a chegada de turistas e moradores.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp