Governo vê avanço em proposta que reduz jornada de trabalho
Planalto avalia que presidente da Câmara está disposto a discutir o fim da escala 6×1, prioridade do governo federal para 2026
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Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam com otimismo a possibilidade de o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), apoiar a tramitação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A iniciativa é considerada prioridade do governo federal e pode avançar ainda antes das eleições de outubro de 2026.
No início das discussões, o Palácio do Planalto não tinha segurança sobre o posicionamento de Motta. O governo temia resistência devido à pressão de setores empresariais e ao cenário político instável no Congresso Nacional. Nos últimos dias, no entanto, aliados do presidente afirmam que o chefe da Câmara sinalizou disposição para debater o tema.
Hugo Motta deve disputar a reeleição como deputado federal pela Paraíba neste ano. Além disso, articula apoio político para fortalecer sua base e viabilizar projetos eleitorais no Estado, incluindo uma eventual candidatura de seu pai, Nabor Wanderley, ao Senado. Esse contexto político é visto pelo governo como um fator que pode favorecer o avanço da proposta.
Prioridade do governo federal
A redução da jornada de trabalho está entre os principais projetos do governo federal no Congresso em 2026. O tema é tratado como estratégico pelo Partido dos Trabalhadores, que pretende apresentar a proposta como uma das marcas da atual gestão.
O presidente Lula agendou uma reunião com Hugo Motta para tratar do assunto. O encontro deve contar com a presença da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. O objetivo é alinhar estratégias para acelerar a tramitação da proposta.
Proposta prevê semana de quatro dias
A proposta foi apresentada em fevereiro de 2025 pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). O texto prevê a redução da jornada semanal para quatro dias de trabalho, com oito horas diárias, totalizando 36 horas semanais. O modelo considera ainda o limite de quatro horas extras por semana.
Para facilitar a aprovação, o governo também avalia encaminhar um projeto de lei com urgência constitucional. Nesse formato, seriam necessários 257 votos favoráveis na Câmara, número menor que os 308 exigidos para aprovação de uma PEC.
O governo aposta na medida como forma de modernizar as relações de trabalho e ampliar o debate sobre qualidade de vida dos trabalhadores. A proposta, no entanto, ainda enfrenta resistência de setores econômicos, que alertam para possíveis impactos sobre custos e produtividade.
