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Policiais Militares são presos em operação que investiga corrupção nas rodovias

Policiais estariam exigindo pagamentos em dinheiro, especialmente via Pix, para não apreender as mercadorias e veículos

Por Da Redação

Policiais Militares são presos em operação que investiga corrupção nas rodovias Créditos: Gaeco

O Ministério Público do Paraná, por meio do Núcleo de Foz do Iguaçu do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou na última quinta-feira (6) a segunda fase da Operação Chave Pix. O objetivo da ação foi aprofundar as investigações sobre a prática de exigência de valores ilícitos de compristas de mercadorias estrangeiras abordados na BR-277. Segundo as suspeitas, policiais militares estariam exigindo pagamentos em dinheiro, especialmente via Pix, para não apreender as mercadorias e veículos, além de não encaminhar os abordados às autoridades competentes.

A operação foi realizada com o apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Paraná e resultou no cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão nas cidades de Foz do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu, ambas no Oeste do Paraná, e em Joinville, no estado de Santa Catarina. As buscas ocorreram em endereços vinculados a nove policiais militares, quatro civis, incluindo um policial militar exonerado, além da sede do Destacamento da Polícia Militar de Santa Terezinha de Itaipu, local de lotação dos PMs investigados. Além disso, foram cumpridos oito mandados de afastamento da função pública e outras medidas cautelares contra policiais militares, além de 13 mandados de busca pessoal.

As ordens foram autorizadas pelo Juízo da Vara da Auditoria da Justiça Militar Estadual do Paraná e cumpridas nas residências dos investigados. Os agentes buscaram recolher celulares, documentos, computadores, valores em espécie e objetos ilícitos que possam contribuir para o avanço das investigações. De acordo com o Gaeco, os valores pagos via Pix eram depositados em contas de terceiros, que posteriormente transferiam o dinheiro para familiares dos policiais envolvidos no esquema.

Essa nova fase da Operação Chave Pix decorre da primeira etapa, realizada em dezembro de 2023. Na ocasião, dois policiais militares e três civis foram alvos das investigações. Durante essa primeira fase, foram ouvidas cerca de 100 possíveis vítimas e identificados outros policiais e civis suspeitos de participação na suposta organização criminosa. A apuração inicial indicou que os policiais abordavam compristas de mercadorias estrangeiras na BR-277 e exigiam o pagamento de propina para liberar os motoristas e os produtos importados, sendo os valores transferidos para contas de terceiros e, posteriormente, para familiares dos policiais.

Em relação às ações realizadas nesta quinta-feira, o promotor Tiago Lisboa Mendonça destacou o suporte da Corregedoria da Polícia Militar e a abrangência das diligências: "O cumprimento dos mandados contou com apoio inestimável da Corregedoria da Polícia Militar. Na oportunidade foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão, dentre os quais, nove deles envolvendo policiais militares lotados no Destacamento da PM de Santa Terezinha de Itaipu, município contíguo a Foz do Iguaçu. Na oportunidade também foram cumpridas ordens de afastamento da função pública por parte dos policiais militares envolvidos."

Mendonça ressaltou ainda os crimes investigados e o modus operandi do esquema: "A investigação em questão, desde a sua primeira fase, busca apurar suposta prática de crimes de organização criminosa, corrupção, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Pessoas eram abordadas na BR-277, geralmente em posse de mercadorias de produtos estrangeiros, especialmente do Paraguai, e nessas abordagens era exigido o pagamento de quantia a título de propina por meio de Pix. Esses valores eram encaminhados para a conta de terceiros que também integram, em tese, essa organização criminosa, que a partir daí repassava os valores para contas de familiares e dos próprios PMs".

Duas pessoas acabaram sendo presas em flagrante na operação, devido a posse e porte de arma de fogo e munições.

“Nos cumprimentos de mandados foram realizadas duas prisões em flagrante em razão da posse e do porte de munição, além da posse ilegal de uma arma de fogo e silenciadores. Todos os policiais presos em flagrante foram encaminhados ao Gaeco para execução do respectivo auto de prisão em flagrante. Também foram apreendidos documentos, valores em espécie e equipamentos eletrônicos, especialmente aparelhos celulares”, disse o promotor.

O Núcleo Regional do Gaeco em Foz do Iguaçu segue com as investigações para aprofundar a apuração sobre a organização criminosa e os envolvidos no esquema de corrupção. Ainda não há informações sobre eventuais novas fases da operação.

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