Governo deve ter ampla reforma, com troca de até 22 ministros em ano eleitoral
Os ministros Ricardo Lewandowski e Fernando Haddad, manifestaram a Lula o desejo de deixar seus cargos ainda neste início de ano
Por Da Redação
Créditos: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retorna a Brasília em meio a um dos cenários políticos mais complexos de seu terceiro mandato: a necessidade de promover uma ampla reforma ministerial, pressionado tanto pelo calendário eleitoral de 2026 quanto pelo desgaste político de integrantes do primeiro escalão. A combinação desses fatores deve levar à troca de uma parte significativa dos ministros nos próximos meses, redesenhando o núcleo do governo em um momento estratégico.
Dois pedidos de saída já estão na mesa do presidente. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, manifestaram a Lula o desejo de deixar seus cargos ainda neste início de ano. Lewandowski é o mais apressado. Ele conversou com o presidente no fim de 2025 e sinalizou que gostaria de encerrar sua passagem pelo Ministério da Justiça já em janeiro, preferencialmente até o fim desta semana. Haddad, por sua vez, indicou que pretende sair até fevereiro, embora tenha admitido a possibilidade de permanecer por mais algumas semanas.
No caso da Justiça, a situação é considerada delicada dentro do governo. Técnicos da pasta defendem que Lewandowski permaneça ao menos até a aprovação da chamada PEC da Segurança Pública, que ainda precisa passar pelo plenário da Câmara dos Deputados e pelo Senado. Nos bastidores, porém, o entendimento é de que o ministro demonstra cansaço diante do desgaste político da área e da dificuldade de articulação. Secretários relatam desânimo com a falta de apoio do Planalto em temas sensíveis e apontam críticas diretas ao ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. Também há frustração com o Congresso Nacional, onde, segundo a avaliação interna, projetos estratégicos do ministério, como a PEC da Segurança Pública e propostas de combate a facções, acabaram desfigurados durante a tramitação.
A possível saída de Lewandowski reacendeu um debate interno no PT. Setores do partido defendem que Lula aproveite a mudança para dividir a atual pasta em dois ministérios: Justiça e Segurança Pública. A proposta é vista como uma tentativa de responder às críticas do eleitorado, já que a segurança pública aparece no topo das preocupações apontadas pelas pesquisas de opinião mais recentes.
Na área econômica, a eventual saída de Fernando Haddad também impõe desafios. O ministro demonstrou interesse em atuar diretamente na coordenação da campanha de reeleição de Lula, mas os planos do PT para ele passam por uma candidatura majoritária em São Paulo, seja ao governo do estado ou ao Senado. Com sua saída, a tendência é que o secretário-executivo Dario Durigan assuma interinamente o comando da Fazenda. Antes mesmo disso, a pasta já passou por mudanças: Marcos Barbosa Pinto, então secretário de Reformas Econômicas, deixou o cargo antes do recesso. Entre governistas, a leitura é de que a agenda reformista do governo Lula 3 se encerrou, o que tornaria a saída natural.
Essas trocas iniciais são apenas o começo de um movimento mais amplo. De olho nas eleições de 2026, Lula já sinalizou que deve liberar ministros que pretendem disputar cargos eletivos, estimulando a formação de palanques regionais aliados à sua campanha de reeleição. Segundo levantamentos de bastidores, entre 18 e 22 ministros devem se desincompatibilizar até abril de 2026, prazo final estabelecido pela legislação eleitoral.
Entre os nomes cotados estão figuras centrais do governo, como Rui Costa (Casa Civil), Simone Tebet (Planejamento), Geraldo Alckmin (Indústria), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), além de ministros de áreas estratégicas como Agricultura, Meio Ambiente, Minas e Energia, Transportes e Portos e Aeroportos. Em Alagoas, por exemplo, o ministro dos Transportes, Renan Filho, já acertou sua saída para disputar novamente o governo do estado, movimento que deve manter a influência alagoana na Esplanada, com a possível ascensão do secretário-executivo George Santoro.
A perspectiva de uma debandada em série transforma 2026 em um verdadeiro “ano da verdade” para o governo. Lula terá de equilibrar a necessidade de manter a governabilidade, preservar a imagem do governo em áreas sensíveis e, ao mesmo tempo, reorganizar sua equipe para sustentar o projeto de reeleição.
