Polícia aponta reação alérgica como causa da morte de aluno de aviação após "banho de óleo" em Ponta Grossa
Investigação preliminar indica que aspirante a piloto morreu por asfixia provocada por edema nas vias aéreas após contato com óleo utilizado em motores de aeronaves; Anac alerta para os riscos da prática
Créditos: Reprodução Redes Sociais
A Polícia Civil do Paraná informou nesta segunda-feira (20) que a causa preliminar da morte do aspirante a piloto Gustavo Henrique Lara, de 27 anos, foi uma asfixia mecânica por edema de via aérea após exposição química. O jovem morreu em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, depois de participar de um tradicional "banho de óleo", realizado para celebrar uma etapa da formação de pilotos.
Segundo a investigação, o contato com a substância provocou uma intensa reação alérgica que causou inchaço nas vias respiratórias, impedindo a passagem de ar.
Apesar da divulgação da causa preliminar, a Polícia Civil informou que o inquérito segue em andamento e que a conclusão depende da finalização das investigações.
Reação aconteceu logo após o ritual
O caso ocorreu na última quinta-feira (16), quando Gustavo recebeu o chamado "banho de óleo", prática tradicional em escolas de aviação para marcar momentos como o primeiro voo solo ou a conclusão de uma etapa da formação.
De acordo com a Polícia Civil, imediatamente após ter o óleo despejado sobre o corpo, o aluno sofreu uma reação anafilática, considerada uma manifestação alérgica grave, acompanhada de uma crise convulsiva.
Os investigadores apontam que o edema provocado pela reação bloqueou as vias respiratórias.
Durante o atendimento médico, Gustavo sofreu três paradas cardiorrespiratórias e não resistiu.
Instrutor responde por homicídio culposo
O instrutor de voo que participou do ritual e admitiu ter despejado o óleo sobre o aluno foi preso em flagrante sob suspeita de homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Após pagar fiança de R$ 3 mil, ele foi colocado em liberdade e responderá ao processo.
Segundo o delegado Lucas Petry, responsável pela investigação, os elementos reunidos até o momento não indicam intenção de provocar a morte da vítima.
"De acordo com os elementos levantados até esse momento, ficou caracterizado que não houve dolo na conduta do instrutor, que não houve a intenção de matar a vítima, que inclusive era seu amigo", afirmou o delegado.
A identidade do instrutor não foi divulgada.
Composição do óleo ainda é investigada
A Polícia Civil ainda não informou qual era a composição química exata da substância utilizada durante o ritual.
Segundo o delegado, trata-se de um óleo utilizado em motores de aeronaves, cuja análise faz parte das investigações.
A perícia busca esclarecer se houve algum componente capaz de potencializar a reação alérgica sofrida pelo aluno.
Anac faz alerta sobre riscos
Após o caso, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) divulgou uma nota alertando que óleos e lubrificantes utilizados na aviação não devem entrar em contato com a pele.
Segundo a agência, os próprios fabricantes desses produtos orientam que a exposição deve ser evitada.
A Anac afirmou que o uso dessas substâncias em celebrações representa risco à saúde e pode provocar consequências graves, inclusive a morte.
A agência também defendeu que práticas como o "banho de óleo" sejam revistas por escolas de aviação, aeroclubes e centros de instrução.
Em nota, a Anac destacou que a segurança deve permanecer como prioridade durante toda a formação dos pilotos e que comemorações não podem colocar alunos, instrutores ou terceiros em situação de risco.
Escola diz colaborar com as investigações
O Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) de Ponta Grossa, onde Gustavo realizava a formação, informou que está colaborando com as autoridades.
Em nota publicada nas redes sociais, a instituição afirmou que permanece à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários e oferecer apoio à família da vítima.
A escola também informou que não fará novos comentários até a conclusão das investigações.
No comunicado, o CIAC manifestou solidariedade aos familiares e amigos de Gustavo e lamentou a morte do aluno.
Quem era Gustavo Henrique Lara
Natural de Ipiranga, município localizado a cerca de 50 quilômetros de Ponta Grossa, Gustavo Henrique Lara tinha 27 anos.
Nas redes sociais, ele se apresentava como engenheiro eletricista, engenheiro biomédico e aluno em formação para se tornar piloto de avião.
A Polícia Civil aguarda a conclusão dos laudos periciais para finalizar o inquérito e esclarecer todas as circunstâncias que levaram à morte do jovem durante o ritual realizado na escola de aviação.
