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Paz anunciada por Washington não significa paz regional: manutenção de tropas israelenses no Líbano expõe limites do acordo entre EUA e Irã

Enquanto EUA e Irã falam em reduzir tensões, posição israelense levanta dúvidas sobre a capacidade do acordo de produzir estabilidade regional

Por Julia Maraschi

Paz anunciada por Washington não significa paz regional: manutenção de tropas israelenses no Líbano expõe limites do acordo entre EUA e Irã Créditos: Divulgação

O anúncio sobre um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, divulgado nesse domingo (14), foi recebido inicialmente como um possível ponto final na escalada militar que elevou a tensão no Oriente Médio nas últimas semanas. No entanto, a decisão de Israel de não alterar sua atuação militar em território libanês se tornou um obstáculo em meio às negociações e expectativas para uma possível conciliação.

A reação do Estado israelense levantou o questionamento sobre se duas potências são suficientes para encerrar um conflito que se espalha por diferentes frentes regionais. Autoridades norte-americanas, junto dos mediadores envolvidos nas negociações, apresentam o entendimento como estratégia para evitar conflitos diretos, reabrir rotas comerciais e criar espaço para novas discussões sobre segurança regional e o programa nuclear iraniano. Foram formuladas medidas para diminuir tensões militares e restaurar a estabilidade econômica em áreas afetadas pelo conflito.

Horas após o anúncio, o governo israelense afirmou que manterá sua presença militar no sul do Líbano e continuará operações que considera necessárias para conter ameaças à própria segurança. Posição que evidencia a complexidade da resolução das guerras e disputas no Oriente Médio contemporâneo, que raramente dependem de apenas dois atores.

O impasse sobre o Líbano

Embora tenha ficado entendido que o acordo prevê o encerramento das ações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, como foi divulgado por mediadores do Irã e do Paquistão, algumas versões falam inclusive em retirada israelense gradual e fim das operações de destruição em território libanês. Caso que causa divergência devido ao posicionamento de Israel, que esclareceu que o acordo com o Irã não altera sua política de segurança no sul do Líbano e que continuará operando contra o Hezbollah enquanto considerar existir ameaça direta.

Analistas internacionais mostram que existe diferença entre interromper uma escalada direta entre Estados e construir uma paz regional efetiva.

“Encerrar o confronto entre dois países não significa automaticamente desmobilizar alianças militares, grupos armados ou disputas territoriais”, resume a avaliação recorrente entre especialistas ouvidos por veículos internacionais nos últimos dias.

O alcance do acordo em relação ao programa nuclear iraniano também se tornou outro ponto a ser esclarecido, já que parte das informações divulgadas indica que o tema teria sido incluído apenas como compromisso de continuidade das negociações, sem definição imediata sobre limites permanentes ou mecanismos de fiscalização. Isso levou observadores a interpretar o anúncio mais como uma tentativa de congelar o conflito do que como uma solução definitiva.

Efeitos econômicos sobre o entendimento

A redução da tensão em torno do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte global de petróleo, foi recebida pelo mercado como sinal de possível estabilização dos preços internacionais da energia. Mesmo assim, o impasse envolvendo Israel e Líbano mostra que o anúncio diplomático ainda não representa o encerramento completo da crise.

Mais do que responder se haverá paz, os próximos dias devem indicar quem realmente está disposto a aceitá-la e em quais condições.

O acordo EUA–Irã, que parece ter sido desenhado para encerrar a guerra direta entre Estados e estabilizar rotas econômicas, esbarra no fato de que o conflito regional funciona em várias frentes sem comando único.

 

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp