Créditos: Jaelson Lucas/Arquivo AEN
Paraná avalia criar programa de incentivo financeiro para a suinocultura
Proposta baseada em modelo do Mato Grosso do Sul prevê bonificação por animal abatido para produtores que cumprem metas de sustentabilidade e biossegurança
O Paraná iniciou discussões para avaliar a criação de um programa de incentivo financeiro voltado à suinocultura, inspirado em um modelo já adotado no Mato Grosso do Sul. A proposta foi debatida nesta segunda-feira (18) durante reunião da Comissão Técnica de Suinocultura do Sistema FAEP, que analisou os resultados do programa Leitão Vida, executado pelo governo sul-mato-grossense.
A iniciativa do Mato Grosso do Sul concede bonificações financeiras a produtores que cumprem protocolos relacionados à sustentabilidade, biossegurança, produção e bem-estar animal. O objetivo da reunião foi discutir a viabilidade técnica e prática de implantar um modelo semelhante no Paraná, atualmente um dos principais polos da suinocultura brasileira.
Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o Paraná possui cerca de 1 milhão de matrizes suínas e ocupa posição de destaque nacional no setor, o que exige políticas voltadas à valorização dos produtores e ao fortalecimento da atividade.
Em 2025, o Estado registrou o abate de 12,9 milhões de suínos, volume que representou 21% da produção nacional, consolidando o Paraná como o segundo maior produtor do país.
A presidente da Comissão Técnica de Suinocultura do Sistema FAEP, Deborah de Geus, afirmou que a experiência apresentada pelo Mato Grosso do Sul pode servir como referência para políticas futuras no Paraná. Segundo ela, os recursos obtidos pelos produtores participantes do programa acabam sendo reinvestidos nas propriedades, contribuindo para melhorias estruturais e aumento da produtividade.
O programa Leitão Vida funciona a partir de uma série de critérios que os produtores precisam cumprir para receber os incentivos. As exigências são divididas em seis pilares: sustentabilidade social, sustentabilidade econômica, sustentabilidade ambiental, biossegurança, bem-estar animal e produção.
A bonificação varia conforme o nível de adequação da propriedade aos protocolos estabelecidos. Quanto maior o número de requisitos atendidos, maior é o valor recebido por animal abatido.
A fiscalização e validação dos critérios são realizadas pela Associação Sul-mato-grossense de Suinocultores, responsável por emitir os certificados de qualificação das granjas participantes.
De acordo com o presidente da associação, Renato Leandro Spera, as auditorias são feitas presencialmente nas propriedades rurais, respeitando o cronograma sanitário das granjas. O processo conta com acompanhamento do produtor e também do responsável técnico da unidade.
O diretor executivo da associação, Lucas Ingold, afirmou que o programa contribuiu para elevar os padrões da atividade no Estado, incentivando produtores a investirem em governança, controle sanitário e adequações ambientais.
Representando a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do Mato Grosso do Sul, Rômulo Gouveia destacou que o programa existe há cerca de 30 anos e vem demonstrando resultados positivos na modernização da cadeia produtiva. Segundo ele, os produtores têm buscado continuamente melhorias para elevar o nível da atividade no Estado.
