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Entre discursos e alertas ignorados, Paraná entra em zona de desconforto político

Questionamentos sobre contratos, obras públicas e relações empresariais ampliam o desgaste do núcleo do poder estadual e tiram o Paraná da zona de conforto institucional

Entre discursos e alertas ignorados, Paraná entra em zona de desconforto político Créditos: Geraldo Bubniak/AEN

O Paraná atravessa um período de tensão política que contrasta com o discurso oficial de eficiência administrativa. Nos bastidores e no debate público, uma sequência de fatos e questionamentos passa a pressionar o centro das decisões do governo estadual, tornando cada vez mais difícil sustentar a narrativa de normalidade.

O governador Ratinho Junior e o secretário Guto Silva passaram a ser citados em meio a denúncias e suspeitas que envolvem a Sanepar, indícios de irregularidades financeiras e relações empresariais questionadas entre a família do governador e o Banco Master. Parte dessas conexões passa por fundos que mantêm sociedade com o pai de Ratinho Junior no empreendimento Tayayá, localizado em São Pedro do Paraná, mas divulgado comercialmente como Porto Rico, estratégia que levanta dúvidas sobre transparência e valorização artificial do negócio.

Além das suspeitas, há registros oficiais que reforçam o desconforto. Alertas emitidos pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná sobre as obras de engordamento da praia de Matinhos foram formalmente apresentados e, ainda assim, desconsiderados. Relatórios técnicos apontaram falhas de planejamento, riscos ambientais e inversão de etapas. Mesmo diante dessas advertências, o governo optou por seguir com a execução. O resultado aparece em custos elevados, dúvidas sobre a efetividade da intervenção e um desgaste político que já extrapola o litoral.

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Esse conjunto de episódios projeta um desconforto maior sobre o PSD, partido comandado nacionalmente por Gilberto Kassab. Em um momento de articulação nacional e ambições eleitorais futuras, o que deveria ser vitrine de gestão passa a atrair atenção por suspeitas e decisões administrativas contestadas.

No Paraná, o debate público avança de forma desigual. A robusta estrutura de comunicação do governo estadual, sustentada por contratos milionários de publicidade, contribui para um ambiente de baixa contestação institucional. Questionamentos são raros, críticas incomodam e o silêncio se torna parte da engrenagem política.

Esse cenário, porém, tende a mudar. Com a aproximação do calendário eleitoral, a propaganda oficial enfrenta limites legais e a Assembleia Legislativa retoma maior protagonismo. A redução do controle narrativo costuma abrir espaço para que os fatos ganhem mais visibilidade.

Ao eleitor paranaense, a questão que se desenha é direta e inevitável: o mesmo Estado que se apresenta como planejador do futuro é aquele que ignora órgãos de controle, convive com suspeitas recorrentes e mantém relações empresariais pouco transparentes?

Enquanto isso, parte da classe política aposta no silêncio estratégico, esperando que o tempo dilua os questionamentos. A experiência recente indica que essa estratégia costuma ter custo alto quando a realidade insiste em aparecer.

As informações são do O Diário de Maringá.

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