Paolla Oliveira denuncia uso de inteligência artificial para criar imagens falsas com seu rosto
Atriz afirmou que convive há anos com conteúdos manipulados por inteligência artificial. Estudo da UFRJ identificou quase 200 anúncios fraudulentos utilizando seu nome em pouco mais de três meses
Créditos: Reprodução Redes Sociais
A atriz Paolla Oliveira voltou a denunciar o uso indevido de sua imagem em conteúdos falsos criados com inteligência artificial. Um levantamento realizado pelo laboratório Netlab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), identificou quase 200 anúncios fraudulentos utilizando o nome da artista em pouco mais de três meses. A maioria deles era usada para divulgar deepfakes pornográficos em aplicativos de mensagens.
Em entrevista exibida pelo programa Fantástico, da TV Globo, neste domingo (2), Paolla relatou o impacto causado pela exposição de imagens manipuladas que circulam na internet.
Atriz relata constrangimento
Segundo Paolla Oliveira, o problema se intensificou com o avanço das ferramentas de inteligência artificial, permitindo a criação de imagens falsas cada vez mais realistas.
"Imagem nova, com imagem velha, sem nenhum limite. Eu vi o horror virar rotina e decidi abrir o jogo. Tem fotos minhas na internet que eu nunca tirei. Um corpo circulando por aí com um rosto em cima que não é o meu", afirmou.
A atriz contou que convive com esse tipo de situação há vários anos e classificou alguns episódios como extremamente constrangedores.
"Quando começou essa coisa de inteligência artificial, você não sabia muito para onde ia. Aí comecei a ver que não tem mais parada. Eu tive situações muito expostas, vexatórias mesmo, de cunho sexual", disse.
Outras vítimas também relataram casos
Durante a reportagem, Paolla conversou com outras mulheres que também foram vítimas de deepfakes de conteúdo sexual.
Uma delas, identificada como Débora, afirmou que teve fotografias manipuladas e publicadas em um site adulto após sofrer uma tentativa de chantagem.
"Infelizmente aconteceu comigo. Fui chantageada, mas denunciei. Porém, fiquei traumatizada e com medo. Usaram minhas fotos, manipularam com inteligência artificial e colocaram partes íntimas de outra mulher", relatou.
A reportagem destacou que esse tipo de crime tem atingido não apenas pessoas públicas, mas também mulheres anônimas e adolescentes, ampliando a preocupação com o uso criminoso da inteligência artificial.
O que é um deepfake?
Deepfake é uma tecnologia baseada em inteligência artificial capaz de alterar imagens, vídeos e áudios para criar conteúdos extremamente realistas.
Por meio de algoritmos avançados, conhecidos como Redes Adversárias Generativas (GANs), o sistema analisa centenas de fotos, vídeos ou gravações de uma pessoa para aprender suas características faciais, expressões e voz.
Depois desse processo, a inteligência artificial cria um modelo digital capaz de substituir o rosto ou a voz de outra pessoa em vídeos e fotografias, ajustando iluminação, ângulo e movimentos para tornar a manipulação difícil de identificar.
Entre os usos mais preocupantes da tecnologia está a produção de conteúdos pornográficos falsos utilizando a imagem de vítimas sem autorização.
Legislação avança contra conteúdos manipulados
Com a expansão do uso da inteligência artificial, diferentes países passaram a adotar regras para combater a divulgação de conteúdos manipulados.
Na União Europeia, normas recentes tornaram obrigatória a identificação de materiais produzidos com inteligência artificial e estabeleceram punições para casos de pornografia não consensual.
No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu o uso de deepfakes nas eleições de 2026. A regulamentação prevê sanções para candidatos que utilizarem conteúdos manipulados por inteligência artificial com o objetivo de influenciar ou enganar eleitores durante o processo eleitoral.
