Rádio Nacional celebra 45 anos do programa ‘Viva Maria’
Especial relembrou momentos marcantes da atração, que se tornou referência na defesa dos direitos das mulheres e acumula mais de 8,6 mil edições
Por Valéria Mendes
Créditos: CFEMEA
A Rádio Nacional celebrou, nesta segunda-feira (14), os 45 anos do programa Viva Maria. A edição comemorativa foi transmitida ao vivo diretamente do Museu do Rádio da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), com participação simultânea das emissoras Nacional da Amazônia, Nacional do Alto Solimões, Nacional AM de Brasília e rádios parceiras.
Criado em 1981, o Viva Maria tornou-se uma referência da comunicação pública brasileira ao acompanhar transformações sociais e abrir espaço para mulheres de diferentes gerações, regiões e realidades.
Ao longo de mais de quatro décadas, o programa promoveu debates sobre saúde, violência contra a mulher, participação política, cultura, cidadania e direitos sociais. A atração também acompanhou o processo de redemocratização do país e as discussões da Assembleia Nacional Constituinte.
A programação especial reuniu personalidades e parceiros que participaram da trajetória do Viva Maria, além de recuperar momentos marcantes da atração e destacar a importância do rádio como instrumento de informação, acolhimento e mobilização social.
SÉRIE DOCUMENTAL
Durante a celebração, foi lançada a série documental em podcast “Maria, eu vi… você lembra? — Os 45 anos do Viva Maria em histórias”.
A produção possui 14 episódios, com aproximadamente dez minutos cada, e recupera registros históricos do programa, especialmente da década de 1980. Entrevistas, reportagens, participações de ouvintes e conteúdos de arquivo são apresentados em diálogo com temas atuais.
A proposta é mostrar como o Viva Maria não apenas acompanhou acontecimentos importantes da história brasileira, mas também participou de mobilizações relacionadas aos direitos das mulheres.
MAIS DE 8,6 MIL PROGRAMAS
Desde sua criação, o Viva Maria acumula mais de 8,6 mil edições. Pelas emissoras da EBC, foram transmitidos aproximadamente 8,2 mil programas entre 1981 e 2026, considerando o intervalo em que a atração ficou fora do ar, entre junho de 1990 e julho de 2004.
A trajetória do projeto também passou por outras emissoras e formatos. Cerca de 300 edições foram transmitidas pela Rádio Capital entre 1990 e 1992. A Rádio Cultura de Brasília veiculou aproximadamente 50 edições do Ecofeminino, entre 1992 e 1993, enquanto a Rádio MEC AM apresentou cerca de 80 edições do Mulherio, entre 2005 e 2006.
O pioneirismo do programa também inspirou iniciativas como o Fala Mulher, criado pelo Centro de Projetos da Mulher (Cemina) na Rádio Guanabara, e o quadro Natureza Mulher, transmitido desde 1993 no programa Natureza Viva, da Rádio Nacional da Amazônia.
ATUAÇÃO PELOS DIREITOS DAS MULHERES
Inspirado na música “Maria, Maria”, composta por Milton Nascimento e Fernando Brant, o programa foi transmitido pela primeira vez pela Rádio Nacional AM de Brasília.
Ao longo dos anos, o Viva Maria transformou seus microfones em espaço de expressão para mulheres que enfrentaram a ditadura, vítimas de violência e participantes do processo de reconstrução democrática.
A atração contribuiu para a criação do Fórum de Mulheres do Distrito Federal e participou das mobilizações pela implantação da primeira Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e do Conselho dos Direitos da Mulher no DF.
Durante a Constituinte, o programa apoiou abaixo-assinados pela garantia da licença-maternidade de 120 dias e pelo direito à creche para crianças de zero a seis anos.
Em reconhecimento à trajetória da atração, a Organização das Nações Unidas instituiu, em 1990, o Dia Latino-Americano da Imagem da Mulher nos Meios de Comunicação, celebrado em 14 de setembro.
A mesma data também foi escolhida para a fundação da Rede de Jornalistas com Visão de Gênero nas Américas, criada em Buenos Aires, em 2016.
ONDE ACOMPANHAR
O conteúdo da Rádio Nacional pode ser acompanhado pelo site radios.ebc.com.br, pelo aplicativo Rádios EBC e pelos canais oficiais da emissora nas plataformas digitais.
Crédito da foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Créditos: Redação
