Novo secretário das Cidades construiu carreira sob a estrutura política de Guto Silva
Felipe Augusto Amadori Flessak, atual secretário interino da Secretaria de Estado das Cidades (SECID), percorreu trajetória que acompanha os movimentos políticos de Guto Silva desde a Assembleia Legislativa até o Executivo estadual
Por Gazeta do Paraná
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A saída de Guto Silva da Secretaria das Cidades não alterou o eixo de comando da pasta. O cargo passou para Felipe Augusto Amadori Flessak, nome cuja trajetória institucional acompanha os deslocamentos de Guto no Legislativo e no Executivo ao longo da última década. A sucessão não representa ruptura. Representa continuidade.
A relação formal entre os dois começa em 2015, quando Guto assume o mandato de deputado estadual após ter sido eleito em 2014. É nesse momento que Felipe Flessak passa a atuar como assessor jurídico no gabinete parlamentar. A função não se limita à elaboração de textos técnicos. Gabinetes parlamentares estruturam estratégias legislativas, constroem fundamentos jurídicos para projetos, articulam comissões e participam da formação de capital político. É ali que se consolidam os primeiros núcleos de confiança.
Ainda durante o período legislativo, Flessak passa a integrar o Conselho de Contribuintes e Recursos Fiscais do Estado do Paraná, instância responsável pelo julgamento de contenciosos tributários administrativos. Trata-se de um espaço decisório técnico, mas com impacto econômico relevante, já que envolve disputas fiscais que podem alcançar valores significativos. A passagem pelo conselho amplia seu raio de influência institucional e o insere em estrutura com poder deliberativo.
Em 1º de janeiro de 2019, no início do governo Ratinho Jr., Guto Silva assume a chefia da Casa Civil. A Casa Civil é o centro de coordenação política do Executivo estadual. É onde se articulam secretarias, se organizam prioridades administrativas e se estrutura a relação entre governo e Assembleia. Dois dias depois, em 2 de janeiro de 2019, conforme registros do Portal da Transparência, Felipe Flessak ingressa formalmente no Executivo estadual, justamente na Casa Civil. Posteriormente assume função de direção de alto escalão, classificada como DG-1, permanecendo na estrutura até janeiro de 2022. A cronologia é direta: a ascensão de Guto ao núcleo do governo coincide com a entrada de Flessak na engrenagem central do Executivo.
Em 2023, Guto Silva passa a ocupar a Secretaria do Planejamento, pasta responsável pela coordenação orçamentária do Estado, definição de diretrizes estratégicas e articulação do planejamento de políticas públicas. No mesmo período, Flessak ocupa cargo de direção na Secretaria do Planejamento. A permanência no entorno imediato da estrutura comandada por Guto indica continuidade administrativa dentro do mesmo núcleo político.
Posteriormente, já na Secretaria das Cidades, Flessak assume cargo comissionado executivo em abril de 2025. Com a saída de Guto da pasta, torna-se secretário interino da SECID. A Secretaria das Cidades concentra convênios e programas de infraestrutura urbana que movimentam centenas de milhões de reais em repasses a municípios. A pasta é responsável por pavimentação urbana, obras estruturantes, iluminação pública e equipamentos municipais, além de exigir articulação política permanente com prefeitos e deputados. A sucessão interna mantém o comando dentro da mesma estrutura que conduzia a secretaria desde 2019.
Paralelamente à trajetória institucional, existem vínculos empresariais que conectam o mesmo núcleo. Felipe Flessak é sócio da empresa Kenerg Investimentos Ltda., sediada em Santa Catarina, ao lado de Mariah Silva Galiazzi, irmã de Guto Silva. Desde 2021, Mariah é sócia do próprio Guto em empresa de promoção de vendas registrada em Curitiba, cuja sede funciona em imóvel residencial de propriedade de Guto Silva, conforme matrícula localizada pela equipe de reportagem.
O nome completo do secretário interino é Felipe Augusto Amadori Flessak. O sobrenome Amadori também integra o nome de sua mãe, Marinês Amadori Flessak. O mesmo sobrenome identifica a família de Karina Amadori, esposa de Guto Silva. Tanto os Flessak quanto os Amadori possuem vínculos com o município de Pato Branco, cidade que marca a origem política de Guto.
A linha do tempo revela um padrão consistente. No Legislativo, Flessak atuava no gabinete de Guto. Na Casa Civil, ingressa no Executivo junto com o secretário. No Planejamento, permanece na estrutura comandada pelo mesmo grupo político. Na Secretaria das Cidades, assume o comando interino após a saída do titular.
A sucessão não altera o grupo que ocupa o centro decisório da pasta. Apenas formaliza sua permanência.
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