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Nova Ferroeste segue atrasada enquanto governo anuncia investimento pontual de R$ 80,7 milhões em Cascavel

Projeto bilionário enfrenta entraves há anos, enquanto Estado aposta em melhorias paliativas no terminal da Ferroeste

Por Eliane Alexandrino

Nova Ferroeste segue atrasada enquanto governo anuncia investimento pontual de R$ 80,7 milhões em Cascavel Créditos: Divulgação

O projeto da Nova Ferroeste, considerado uma das principais apostas logísticas do Paraná, segue acumulando atrasos e ainda distante de sair do papel, mesmo após sucessivas promessas do governo estadual. Enquanto isso, o Estado tem anunciado investimentos pontuais, como a autorização de R$ 80,7 milhões para pavimentação do terminal da Ferroeste, em Cascavel.

A nova ferrovia, que prevê a ligação entre Maracaju (MS) e o Porto de Paranaguá (PR), com mais de 1,5 mil quilômetros de extensão, esbarra em entraves técnicos e burocráticos, especialmente na modelagem de desestatização e no licenciamento ambiental, etapas fundamentais que ainda não foram concluídas.

Inicialmente previsto para ocorrer em 2022, o leilão do projeto foi sucessivamente adiado, depois projetado para 2024 e, agora, sem definição concreta, podendo ocorrer apenas em 2025 ou até mais tarde. A indefinição evidencia a dificuldade do Estado em avançar com uma obra considerada estratégica para o escoamento da produção agrícola.

Outro ponto crítico é o licenciamento ambiental, que segue como condicionante para a viabilização do projeto. Sem a emissão da Licença Prévia, o leilão não pode ser realizado, travando o cronograma e aumentando a incerteza sobre a execução da obra.

Além disso, a desestatização da Ferroeste, aprovada por lei apenas em agosto de 2024 também contribuiu para o atraso. O processo exige estudos complexos e alinhamento com o plano nacional de concessões ferroviárias, o que tem ampliado os prazos e dificultado a definição de um modelo viável.

Enquanto o projeto da Nova Ferroeste segue indefinido, o governo estadual tem direcionado esforços para melhorias na estrutura atual. Em Cascavel, foi autorizado nesta quinta-feira (9) o maior investimento da história da empresa: R$ 80,7 milhões para pavimentação em concreto de 8 quilômetros de vias internas do terminal.

A obra prevê ainda a construção de cinco rotatórias e um pátio com capacidade para 60 caminhões, além da pavimentação de 95 mil metros quadrados. O objetivo é melhorar a circulação de aproximadamente 1,2 mil caminhões que acessam diariamente o local, aumentando a eficiência logística no escoamento da produção do Oeste do Paraná.

Apesar do investimento, a medida é vista como paliativa diante da magnitude e da importância da Nova Ferroeste, que continua sem prazo definido para sair do papel. O próprio governo reconhece que o projeto depende de uma série de fatores externos, incluindo o alinhamento com o planejamento federal e a concessão de outras malhas ferroviárias.

Na prática, o cenário expõe um descompasso entre o discurso de modernização da infraestrutura ferroviária e a execução efetiva das obras estruturantes. Enquanto a expansão prometida não avança, o Estado aposta em intervenções pontuais para tentar minimizar gargalos logísticos já conhecidos há décadas.

A Ferroeste, que atualmente opera no trecho entre Guarapuava e Cascavel, com 248 quilômetros, segue sendo um eixo importante para o transporte de grãos e insumos agrícolas. No entanto, sem a ampliação prevista no projeto da nova ferrovia, a capacidade de crescimento do modal permanece limitada.

Diante disso, cresce a cobrança de setores produtivos e lideranças regionais por maior celeridade nas etapas do projeto, que, até o momento, acumula atrasos e incertezas, sem apresentar um cronograma definitivo para sua execução.

Foto: Divulgação

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