Créditos: Lula Marques/ Agência Brasil.
Fazenda teme impacto em bancos brasileiros após decisão dos EUA sobre facções
Presidente pediu avaliação ao ministro Dario Durigan; governo quer evitar que sanções norte-americanas atinjam injustificadamente empresas e o sistema financeiro nacional
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, uma avaliação dos possíveis reflexos para empresas e instituições financeiras brasileiras após a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
O assunto foi discutido nesta segunda-feira (1º), durante reunião realizada no Palácio da Alvorada.
Após o encontro, Durigan afirmou que uma das principais preocupações do governo brasileiro é evitar que medidas adotadas por autoridades estrangeiras provoquem impactos sobre a economia nacional ou interfiram na soberania do país.
Segundo o ministro, existe receio de que interpretações amplas ou critérios adotados pelas autoridades norte-americanas possam gerar consequências negativas para empresas e bancos brasileiros sem que haja fundamentos concretos para isso.
“O Brasil continuará combatendo as organizações criminosas, mas precisamos evitar qualquer prejuízo injustificado à nossa economia”, declarou.
De acordo com Durigan, o governo busca impedir que companhias e instituições financeiras nacionais sejam alvo de restrições ou sanções decorrentes de avaliações externas que não reflitam a realidade brasileira.
Possível diálogo com autoridades dos Estados Unidos
O ministro também afirmou que o governo mantém disposição para dialogar com autoridades norte-americanas sobre o tema. Apesar disso, ele informou que ainda não há reuniões agendadas com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent.
Segundo Durigan, o governo brasileiro ainda está reunindo informações e elaborando diagnósticos antes de definir os próximos passos diplomáticos e econômicos.
Mais cedo, em entrevista ao SBT News, o ministro afirmou que poderá levar as preocupações do governo brasileiro diretamente às autoridades norte-americanas após a conclusão das análises em andamento.
Proteção ao setor produtivo
Durigan ressaltou que a prioridade do governo é preservar o ambiente de negócios, os empregos e o funcionamento do sistema financeiro nacional.
Segundo ele, qualquer cooperação internacional voltada ao combate ao crime organizado é considerada positiva, desde que não resulte em prejuízos ao setor produtivo brasileiro.
Para acompanhar os possíveis efeitos da medida norte-americana, o Ministério da Fazenda tem mantido conversas com representantes do setor financeiro e de outros segmentos da economia para identificar eventuais vulnerabilidades e preocupações.
Agenda internacional e economia
Durante a reunião com o presidente Lula, Durigan também apresentou informações relacionadas à agenda internacional de investimentos do Brasil.
No fim deste mês, o ministro participará de compromissos na China e no Japão, onde pretende apresentar o programa Eco Invest Brasil, iniciativa voltada à atração de recursos internacionais para projetos sustentáveis.
Além disso, o encontro serviu para discutir indicadores recentes da economia brasileira. Dados divulgados recentemente mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) do país avançou 1,1% no primeiro trimestre de 2026, enquanto a formação bruta de capital fixo, indicador que mede os investimentos realizados na economia, registrou crescimento de 3,5%.
