Moro e Dallagnol criticam afastamento da juíza Gabriela Hardt pelo CNJ
Senador Sergio Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol criticaram a decisão do CNJ que afastou a juíza Gabriela Hardt por dois anos
Créditos: Reprodução Redes Sociais
O senador Sergio Moro (PL) e o ex-procurador da República Deltan Dallagnol (Novo) utilizaram as redes sociais para criticar a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determinou o afastamento da juíza federal Gabriela Hardt por dois anos. Os dois pré-candidatos nas eleições de 2026 classificaram a punição como uma medida de caráter político e saíram em defesa da magistrada, conhecida por atuar na Operação Lava Jato.
Gabriela Hardt foi punida pelo CNJ na terça-feira (4), após o órgão concluir que houve irregularidades na homologação, em 2019, de um acordo que previa a criação de uma fundação privada para administrar cerca de R$ 2 bilhões provenientes de multas pagas pela Petrobras em ações da Lava Jato.
Moro diz que juíza foi afastada "sem causa"
Em publicação nas redes sociais, Sergio Moro afirmou que Gabriela Hardt foi punida injustamente e relacionou o caso à atuação da magistrada nos processos da Lava Jato.
"Uma juíza corajosa afastada sem causa", escreveu o senador, acrescentando que Gabriela Hardt "confrontou a arrogância do Lula em audiência".
Moro também afirmou que o CNJ deixou de cumprir o papel de garantir a independência da magistratura.
"O CNJ já não serve para preservar a independência da magistratura. Vivemos uma época de covardia e de inversão de valores", declarou.
Dallagnol fala em "vingança"
Deltan Dallagnol também criticou a decisão em vídeo divulgado nas redes sociais. O ex-procurador questionou se a punição seria uma "vingança de Lula" e afirmou que o processo disciplinar não apontou enriquecimento ilícito ou benefício pessoal por parte da magistrada.
Segundo Dallagnol, a punição decorreu da homologação de um acordo firmado durante a Operação Lava Jato. O ex-procurador também associou o episódio à condenação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo do sítio de Atibaia, sentença proferida por Gabriela Hardt em fevereiro de 2019 e posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
No vídeo, Dallagnol defendeu a eleição de "um Senado sério" para impedir, segundo ele, que pessoas que atuaram na Lava Jato continuem sendo punidas.
Processo analisado pelo CNJ
O processo julgado pelo Conselho Nacional de Justiça, no entanto, não tratou da condenação de Lula no caso do sítio de Atibaia.
A apuração disciplinar analisou a homologação do acordo firmado entre a força-tarefa da Lava Jato e a Petrobras, que previa a criação de uma fundação privada para administrar aproximadamente R$ 2 bilhões oriundos de multas aplicadas nos Estados Unidos.
Durante o julgamento, todos os conselheiros reconheceram a existência de irregularidades na atuação da magistrada. A divergência ficou restrita ao tempo da punição: a maioria votou pelo afastamento por dois anos, enquanto o presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, defendeu o prazo de um ano.
Ao justificar seu voto, Fachin afirmou que "não se combate irregularidade cometendo irregularidade".
Tema entra na campanha eleitoral
As manifestações de Moro e Dallagnol ocorrem no início da campanha eleitoral no Paraná. Moro foi oficializado candidato ao Governo do Estado pelo PL, em aliança com Novo, Podemos e Democracia Cristã.
Já Dallagnol disputa uma das vagas ao Senado pela mesma coligação, ao lado do deputado federal Filipe Barros (PL).
Ao relacionarem a punição de Gabriela Hardt ao legado da Lava Jato, os dois pré-candidatos reforçam um discurso voltado ao eleitorado identificado com a operação. A decisão do CNJ, porém, teve como foco a condução do acordo envolvendo recursos da Petrobras, sem analisar o mérito das condenações proferidas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a operação.
