Mesa de negociação avança na educação e decisão fica nas mãos do governador: será o momento de valorização?
Avanço na mesa de negociação entre APP-Sindicato e governo do Paraná deixa nas mãos de Ratinho Jr. a decisão sobre a valorização da educação
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Altvista / APP-Sindicato
Depois de meses de pressão e mobilização da categoria, a mesa de negociação entre representantes da APP-Sindicato e o governo do Paraná avançou na última sexta-feira (19) em discussões consideradas decisivas sobre a reformulação das carreiras dos trabalhadores da educação. O encontro terminou com consenso em boa parte dos pontos apresentados pelo Executivo, deixando, no entanto, a palavra final nas mãos do governador Ratinho Jr., que deve se manifestar nos próximos dias.
O avanço da proposta ocorre em um cenário de forte cobrança por valorização profissional e reajustes na estrutura das carreiras do magistério e dos funcionários de escola. Segundo participantes da reunião, o texto depende agora apenas de uma decisão política do governador para ser encaminhado à Assembleia Legislativa. Mas a pergunta que ecoa entre os trabalhadores é inevitável: será que, desta vez, o governo vai atender às demandas históricas da educação?
Para a direção da APP-Sindicato, o momento é considerado decisivo. A presidente da entidade, Walkiria Mazeto, afirma que a mobilização da categoria foi fundamental para destravar a negociação e pressionar o governo a avançar na proposta. Ainda assim, ela ressalta que a categoria segue em alerta, já que pontos importantes continuam dependendo de decisão política, especialmente aqueles ligados à valorização salarial e à recomposição de direitos.
Entre as reivindicações em debate estão a reformulação da carreira do magistério — a única ainda não reestruturada dentro da atual gestão — e ajustes para os funcionários de escola, que, mesmo após mudanças anteriores, seguem apontando distorções e lacunas. Também estão na pauta o descongelamento de quinquênios e anuênios e outras demandas acumuladas ao longo dos últimos anos. Diante disso, surge outro questionamento: por que ainda há impasses em medidas consideradas essenciais pela própria categoria?
O governo, por sua vez, foi representado por integrantes da Casa Civil e das secretarias da Educação, Administração e Previdência e Fazenda. A sinalização é de que o governador deve anunciar uma posição já na próxima semana, o que pode destravar o envio do projeto à Alep. No entanto, o histórico recente de negociações faz com que a expectativa venha acompanhada de cautela por parte dos trabalhadores.
Além da reestruturação das carreiras, a pauta da campanha salarial também inclui questões financeiras consideradas urgentes, como a situação dos aposentados sem paridade, que reivindicam correções específicas, e a mudança na forma de cobrança previdenciária, limitada apenas aos valores que excedem o teto do INSS. São temas que, segundo a categoria, impactam diretamente na sobrevivência de milhares de profissionais da educação no estado.
O avanço da negociação, resultado de semanas de mobilização em Curitiba, na Assembleia Legislativa e em diversas regiões do estado, coloca o governo diante de uma decisão política sensível. Afinal, será este o momento em que o Executivo estadual vai transformar o discurso de valorização em medidas concretas? Ou a educação seguirá aguardando mais uma rodada de promessas e adiamentos? A resposta, agora, depende exclusivamente do governador, que não tem tido bom histórico no que se refere a ser uma pessoa de palavra.
