Copel Estudante

Empresas vão à Justiça cobrar R$ 30 milhões da Ponte de Guaratuba

Fornecedores afirmam ter mais de R$ 30 milhões a receber do Consórcio Nova Ponte. Enquanto empresas recorrem ao Judiciário, consórcio atribui atrasos ao desequilíbrio econômico-financeiro do contrato, tema que já é alvo de questionamentos do Tribunal de Contas do Estado.

Por Gazeta do Paraná

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Empresas vão à Justiça cobrar R$ 30 milhões da Ponte de Guaratuba Créditos: Roberto Dziura Jr/AEN

A Ponte de Guaratuba, apresentada pelo Governo Ratinho Junior como o maior símbolo da infraestrutura paranaense nas últimas décadas, volta ao centro das atenções. Desta vez, não pela engenharia ou pelo fim da histórica travessia por balsas, mas por uma disputa financeira que ameaça prolongar os desdobramentos da obra mesmo após sua inauguração.

Empresas e fornecedores que participaram da construção afirmam ter cerca de R$ 30 milhões a receber do Consórcio Nova Ponte. Segundo relatos, os pagamentos deixaram de ser realizados a partir de fevereiro deste ano, atingindo desde grandes prestadores de serviço até pequenas e médias empresas que atuaram diretamente no canteiro de obras. 

A situação surge justamente quando ainda estão em debate os impactos financeiros dos aditivos contratuais da obra e os pedidos de recomposição do equilíbrio econômico-financeiro, temas que vêm sendo acompanhados pela Gazeta do Paraná em uma série de reportagens exclusivas.

 

Dívidas se acumulam

De acordo com o advogado Willian Moura, que representa uma das empresas credoras, o problema está longe de ser um caso isolado.

Segundo ele, diversos empresários procuraram assistência jurídica após deixarem de receber pelos serviços executados durante a construção da ponte. As informações reunidas até o momento apontam que o passivo supera os R$ 30 milhões.

A empresa representada por Moura possui aproximadamente R$ 700 mil a receber. Conforme o advogado, os valores referem-se a serviços executados entre fevereiro e junho de 2026, sendo que a última medição ocorreu em 1º de junho. 

Para muitas empresas, especialmente as de pequeno e médio porte, a demora nos pagamentos compromete o fluxo de caixa, dificulta o pagamento de funcionários, fornecedores e tributos e ameaça a continuidade das atividades.


Consórcio admite desequilíbrio financeiro

Em nota encaminhada à imprensa, o Consórcio Nova Ponte não negou a existência do impasse.

A empresa afirmou que, durante a execução da obra, surgiram condições geotécnicas não previstas no anteprojeto licitado, circunstância que teria gerado direito à recomposição do equilíbrio econômico-financeiro do contrato.

Segundo o consórcio, esse cenário provocou um “descompasso momentâneo” entre a produção da obra e o cronograma de desembolsos. A empresa informou ainda que trabalha junto às autoridades competentes para regularizar o pagamento dos fornecedores o mais rapidamente possível. 

A manifestação chama atenção porque reconhece a existência de dificuldades financeiras relacionadas ao contrato, ainda que atribua a situação às discussões envolvendo o reequilíbrio econômico-financeiro da obra.

 

Contexto amplia questionamentos

A nova cobrança milionária não surge isoladamente.

Nas últimas semanas, a Gazeta do Paraná revelou que uma auditoria da equipe técnica do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) identificou sete possíveis irregularidades nos três primeiros termos aditivos da Ponte de Guaratuba e recomendou a repactuação do contrato, diante de indícios de pagamentos superiores aos considerados devidos.

Entre os principais pontos questionados pelo Tribunal estão justamente os critérios adotados para o reequilíbrio econômico-financeiro, a inclusão de novos serviços por meio de aditivos, a metodologia utilizada para formação de preços e a aplicação dos descontos obtidos durante a licitação.

O Departamento de Estradas de Rodagem (DER-PR), responsável pela fiscalização do contrato, contesta integralmente os apontamentos da equipe técnica do TCE.

O novo episódio reforça um ponto que passa a ganhar relevância: embora os fornecedores mantenham vínculo contratual direto com o Consórcio Nova Ponte, a justificativa apresentada pela própria empresa remete à discussão sobre a responsabilidade pelos custos extraordinários surgidos durante a execução da obra.

Na prática, o debate deixa de envolver apenas uma relação privada entre contratante e fornecedores e alcança também a execução do contrato administrativo firmado com o Estado.

Caso fique demonstrado que determinados custos decorreram de fatos efetivamente imprevisíveis, poderão surgir novos pedidos de recomposição financeira junto ao poder público. Se prevalecer o entendimento da equipe técnica do Tribunal de Contas de que parte desses riscos já estava prevista na matriz contratual, entretanto, a responsabilidade tende a permanecer com o próprio consórcio.

Enquanto fornecedores recorrem ao Judiciário para tentar receber valores que afirmam serem devidos, a maior obra de infraestrutura da gestão Ratinho Junior passa a enfrentar um novo capítulo de questionamentos. Se até poucos meses atrás a Ponte de Guaratuba simbolizava o encerramento de uma espera histórica da população do litoral, agora o desafio parece ser outro: esclarecer quem ficará responsável pela conta deixada após a conclusão da obra.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp