Isenção do IR até R$ 5 mil muda renda e rotinas em 2026
Nova regra elimina imposto mensal para milhões de trabalhadores e exige ajustes em empresas e sistemas de folha
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A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para salários de até R$ 5 mil mensais, válida a partir de 2026, deve impactar diretamente a renda de milhões de brasileiros. A medida aumenta o salário líquido dos trabalhadores, reduz a retenção mensal do imposto e impõe mudanças operacionais a empresas, escritórios contábeis e departamentos de recursos humanos.
Fim do desconto mensal para quem ganha até R$ 5 mil
Com a nova regra, trabalhadores que recebem até R$ 5 mil por mês deixam de ter o Imposto de Renda descontado diretamente na folha de pagamento. Segundo Douglas Torres, bacharel em Ciências Contábeis e assistente tributário da Deloitte, o impacto é imediato no orçamento familiar.
“O trabalhador passa a receber um salário líquido maior, já que o imposto deixa de ser retido mensalmente”, explica o especialista.
Apesar disso, a declaração do Imposto de Renda entregue em 2026, referente ao ano-base 2025, seguirá as regras atuais, com isenção anual de até R$ 3.036. As mudanças completas na declaração anual só começam a valer a partir de 2027.
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Redução gradual para salários acima da faixa de isenção
Para rendimentos entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, a legislação prevê um mecanismo de redução progressiva do imposto, evitando aumentos bruscos na carga tributária. Acima desse valor, volta a ser aplicada a tabela tradicional do IR, com alíquotas que podem chegar a 27,5%.
De acordo com Douglas Torres, quem recebe acima de R$ 5 mil pode não perceber mudanças imediatas no salário líquido, mas pode sentir efeitos no ajuste anual do imposto. “A redução da retenção mensal pode influenciar o valor a pagar ou a restituir na declaração, dependendo das deduções e de outras fontes de renda”, afirma.
Empresas precisam atualizar sistemas e processos
Do ponto de vista das empresas, a mudança exige atenção técnica. Sistemas de folha de pagamento precisam ser atualizados, a tabela do IRRF deve ser corretamente parametrizada e testes precisam ser realizados antes do fechamento da folha.
Douglas Torres alerta que erros nesse processo podem gerar recolhimentos indevidos e inconsistências fiscais. “O maior risco não está na regra em si, mas na aplicação incorreta. É fundamental o alinhamento entre as áreas de pessoal, financeiro e contábil”, destaca.
Impacto vai além do salário
Embora a ampliação da isenção não altere o custo direto das empresas, a medida muda a dinâmica da tributação mensal e exige maior cuidado na gestão fiscal. Para os trabalhadores, o principal efeito é o aumento do salário líquido. Para empresas e contadores, o desafio está na adaptação técnica e na conformidade com as novas regras.
