Intenção de consumo das famílias paranaenses recua em maio e permanece abaixo da média nacional
Indicador da Fecomércio PR e da CNC registra nova queda no estado, puxada pela piora na percepção sobre crédito e consumo, enquanto a confiança dos consumidores avança no país
Créditos: Valter Campanato/Agência Brasil
A intenção de consumo das famílias paranaenses voltou a recuar em maio e permanece em nível considerado insatisfatório. O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e pela Fecomércio Paraná, registrou 92,8 pontos no mês, resultado 1,2% inferior ao observado em abril.
Apesar da retração mensal, o indicador ainda apresenta crescimento de 4,7% na comparação com maio de 2025. No entanto, o desempenho do Paraná contrasta com o cenário nacional. Em todo o país, o ICF avançou 1,6% em maio, alcançando 106,6 pontos e permanecendo acima da linha dos 100 pontos, considerada a zona de satisfação.
A análise por faixa de renda mostra que a queda atingiu diferentes perfis de consumidores. Entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, o índice recuou 0,9%, passando para 90,4 pontos e permanecendo na zona de insatisfação. Já entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, a redução foi mais acentuada, de 2,6%, embora o indicador ainda permaneça em patamar positivo, com 103,7 pontos.
Os dados revelam um cenário de cautela entre os consumidores paranaenses, especialmente em relação ao crédito e ao consumo. O acesso ao crédito apresentou queda de 2,1% no índice geral, atingindo apenas 64 pontos. Entre as famílias de maior renda, a retração foi ainda mais expressiva, de 3,6%.
Outro destaque negativo foi a perspectiva de consumo. O indicador caiu 1,5% no Paraná e atingiu 65,6 pontos. Entre os consumidores com renda superior a dez salários mínimos, a queda chegou a 8,7%, demonstrando maior prudência na intenção de compras futuras.
O nível de consumo atual registrou a maior retração mensal entre os componentes do índice, com queda de 3,9%, encerrando maio com 98,9 pontos. Entre as famílias de maior renda, o recuo foi de 4,9%, enquanto entre as de menor renda a redução ficou em 3,6%.
A renda atual também apresentou piora, com retração de 1,4% no índice geral. O indicador encerrou o mês em 144,7 pontos, mantendo-se como o componente mais bem avaliado pelos consumidores paranaenses. Já a percepção sobre o emprego atual caiu 0,6%, alcançando 111,5 pontos.
Na contramão dos demais indicadores, a Perspectiva Profissional foi o único componente a apresentar crescimento em maio. O subíndice avançou 1,1% e atingiu 104,8 pontos, refletindo maior confiança dos consumidores em relação às oportunidades de trabalho nos próximos meses.
O Momento para Compra de Bens Duráveis permaneceu estável, mas continua sendo o item com menor pontuação da pesquisa, somando apenas 59,9 pontos. O resultado evidencia a cautela das famílias diante da aquisição de produtos de maior valor, cenário influenciado pelos juros elevados e pelas incertezas econômicas.
Segundo a Fecomércio PR, os resultados demonstram que, apesar da melhora nas expectativas relacionadas ao mercado de trabalho, os consumidores paranaenses seguem mais conservadores quando o assunto é crédito, consumo e compras de longo prazo, mantendo a intenção de consumo abaixo da média nacional.
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