Incêndio revela idosa de 83 anos vivendo em situação de abandono dentro de casa no Paraná
Mulher foi encontrada desnutrida e em condições precárias após bombeiros atenderem princípio de incêndio em Londrina; filho é investigado por maus-tratos e suspeita de exploração financeira
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O atendimento a um princípio de incêndio em uma residência de Londrina, no Norte do Paraná, acabou revelando uma situação de abandono e maus-tratos contra uma idosa de 83 anos. A mulher foi encontrada em condições precárias de saúde e higiene, vivendo em um imóvel considerado insalubre pelas autoridades.
O caso foi descoberto no domingo (22), quando equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas para conter um foco de incêndio provocado em meio a roupas acumuladas dentro da residência. Durante o atendimento, um dos bombeiros percebeu a situação da moradora e acionou a Polícia Militar.
Ao retornar ao imóvel no dia seguinte, os policiais encontraram a idosa com sinais de desnutrição, sem acesso adequado à alimentação e em condições consideradas degradantes. Segundo o boletim de ocorrência, a residência apresentava acúmulo de lixo, utensílios sujos, ausência de mantimentos, banheiro sem chuveiro e condições inadequadas para moradia.
O filho da vítima, Vilmar Aparecido dos Santos, de 45 anos, foi preso em flagrante por maus-tratos. Durante a ocorrência, os policiais também identificaram documentos que indicam que ele administrava a aposentadoria da mãe por meio de procurações. Além disso, foram encontrados registros de um empréstimo realizado em nome da idosa e um seguro de vida que tinha o filho como beneficiário.
Relatos de vizinhos reforçaram as suspeitas. Segundo testemunhas ouvidas pela polícia, Vilmar costumava afirmar que a mãe havia morrido há alguns meses, o que impedia qualquer contato da comunidade com a idosa. Moradores também relataram possíveis episódios anteriores de violência e disseram que denúncias já haviam sido encaminhadas aos órgãos de assistência social.
A mulher foi acolhida por equipes da assistência social de Londrina e encaminhada para um abrigo especializado, onde recebe acompanhamento.
Em depoimento à Polícia Civil, Vilmar negou as acusações e afirmou que sempre cuidou da mãe. Ele alegou que as más condições da residência eram consequência das dificuldades financeiras enfrentadas pela família e que ambos sobreviviam apenas com a aposentadoria da idosa.
Após audiência de custódia, a Justiça concedeu liberdade provisória ao investigado, mas determinou que ele mantenha distância mínima de 100 metros da mãe.
Além do crime de maus-tratos, a Polícia Civil investiga se houve cárcere privado e eventual apropriação indevida de recursos financeiros da idosa. O inquérito segue em andamento.
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