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Caso dos quatro homens mortos em Icaraíma completa um ano com suspeitos foragidos

Os assassinatos de quatro homens em Icaraíma, no Noroeste do Paraná, completam um ano sem a prisão dos principais suspeitos. Polícia Civil afirma que as investigações seguem em andamento

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Caso dos quatro homens mortos em Icaraíma completa um ano com suspeitos foragidos Créditos: Reprodução Redes Sociais

Um dos crimes que mais repercutiram no Paraná em 2025 completa um ano nesta terça-feira (5) sem que os principais suspeitos tenham sido presos. Os assassinatos de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza seguem sob investigação da Polícia Civil, que afirma continuar trabalhando para localizar os envolvidos e esclarecer todos os detalhes do caso.

Os quatro homens foram vistos pela última vez em 5 de agosto de 2025, em Icaraíma, no noroeste do Estado. Desde então, a investigação passou por diversas fases, com operações policiais, perícias e apreensão de provas, mas os suspeitos continuam foragidos.

Cobrança de dívida terminou em desaparecimento

Segundo as investigações, Diego Henrique Afonso, Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira saíram do interior de São Paulo e chegaram a Icaraíma no dia 4 de agosto de 2025.

Eles teriam sido contratados por Alencar Gonçalves de Souza para auxiliá-lo na cobrança de uma dívida relacionada à venda de uma propriedade rural.

No dia seguinte, os quatro seguiram até o imóvel onde fariam a cobrança, mas desapareceram e nunca mais retornaram.

Suspeitos fugiram antes do cumprimento de mandados

A Polícia Civil iniciou as investigações em 6 de agosto. Na mesma data, Antônio Buscariolo e Paulo Ricardo Buscariolo, pai e filho apontados como principais suspeitos, foram ouvidos e liberados.

No dia seguinte, quando equipes policiais retornaram para cumprir mandados de busca e apreensão, os dois já haviam fugido. A Justiça decretou a prisão preventiva da dupla, que permanece foragida.

Buscas duraram mais de 40 dias

As buscas mobilizaram policiais por mais de 40 dias. O local onde o crime teria ocorrido só foi identificado em 25 de agosto, na propriedade rural ligada à negociação da dívida. Durante as diligências, foram encontradas munições na área.

Em 12 de setembro, os investigadores localizaram a caminhonete utilizada pelas vítimas. O veículo estava enterrado em um bunker na zona rural de Icaraíma.

Seis dias depois, em uma área a cerca de 500 metros do esconderijo da caminhonete, os corpos dos quatro homens foram encontrados enterrados.

Ao longo da investigação, diversos veículos foram apreendidos e submetidos à perícia. Um dos laudos confirmou a presença de sangue em um dos automóveis analisados.

Os exames de necropsia, concluídos em outubro, apontaram que as vítimas não sofreram tortura antes de serem mortas.

Polícia considera investigação complexa

Segundo a Polícia Civil, o caso apresenta elevado grau de complexidade.

De acordo com a corporação, há indícios de que o grupo investigado possa ter ligação com crimes como tráfico de drogas e contrabando, embora essa relação ainda não tenha sido comprovada.

A polícia também destaca que a execução das vítimas ocorreu em uma área rural, sem testemunhas ou câmeras de monitoramento, o que dificultou a coleta de provas desde o início das investigações.

Além disso, os investigadores apontam que houve uma ação organizada para ocultar os corpos, esconder o veículo utilizado pelas vítimas e eliminar vestígios do crime.

Suspeitos são procurados pela Interpol

No início de julho deste ano, Antônio Buscariolo e Paulo Ricardo Buscariolo passaram a integrar a lista de difusão vermelha da Interpol, tornando-se procurados internacionalmente.

Apesar da inclusão na lista, a Polícia Civil informa que ainda não há confirmação de que os dois tenham deixado o Brasil.

Em nota, a corporação informou que, até o momento, não existem novos fatos a serem divulgados e que as investigações seguem em andamento para identificar e responsabilizar todos os envolvidos.

Quem eram as vítimas

Durante o andamento das investigações, a Polícia Civil divulgou, em novembro de 2025, informações sobre o histórico criminal das quatro vítimas. Segundo a corporação, também foi instaurada uma apuração para verificar se alguns dos homens possuíam ligação com o crime organizado. O resultado dessa investigação, no entanto, não foi divulgado.

Entre as vítimas, apenas Alencar Gonçalves de Souza não possuía antecedentes criminais. Morador de Icaraíma, ele foi quem contratou os três homens que vieram do interior de São Paulo para realizar a cobrança de uma dívida relacionada à venda de uma propriedade rural.

Diego Henrique Affonso, morador de Olímpia (SP), acompanhava Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira na viagem até Icaraíma. Conforme a Polícia Civil, ele possuía registros por crimes como estelionato, ameaça, apropriação indébita, redução à condição análoga à de escravo, difamação e ocorrências no âmbito da Lei Maria da Penha. A corporação informou que, apesar dos registros, Diego não chegou a ser preso pelos fatos investigados.

Rafael Juliano Marascalchi, que morava em São José do Rio Preto (SP), era casado, pai e avô. Segundo familiares, vivia da renda de imóveis e eventualmente realizava cobranças para conhecidos. Seu histórico incluía registros por ameaça, exercício arbitrário das próprias razões, tráfico de drogas, associação para o tráfico e tentativa de homicídio. De acordo com a Polícia Civil, ele foi preso nos anos de 2005, 2007, 2008 e 2010.

Já Robishley Hirnani de Oliveira era pai de dois filhos e amigo de Rafael, com quem já havia trabalhado anteriormente. Segundo a investigação, ele convidou Rafael para participar da viagem a Icaraíma. Sua ficha criminal reunia ocorrências por estelionato, ameaça, dano, exercício arbitrário das próprias razões, embriaguez ao volante, furto qualificado, crime ambiental, além de registros de violência doméstica. A Polícia Civil informou que Robishley chegou a ser preso em 2022.

Defesa nega que fuga represente culpa

A defesa de Antônio e Paulo Buscariolo afirmou que a fuga dos clientes não representa admissão de culpa.

O advogado também declarou que a inclusão dos nomes na lista da Interpol não significa, necessariamente, que pai e filho tenham saído do país.

Segundo a defesa, a expectativa é de que ambos sejam localizados e tenham assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa durante o andamento do processo.

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