Homem é condenado a mais de 31 anos por feminicídio de adolescente indígena em Guaíra
Réu de 68 anos foi condenado pelo Tribunal do Júri por matar jovem Avá-Guarani de 17 anos; sentença também fixa indenização de R$ 50 mil à família da vítima
Créditos: MPPR
O Tribunal do Júri de Guaíra, no Oeste do Paraná, condenou um homem de 68 anos a 31 anos e três meses de prisão, em regime inicial fechado, pelo feminicídio de uma adolescente indígena de 17 anos, integrante da comunidade Avá-Guarani. O julgamento foi realizado na sexta-feira (24), e a sentença foi divulgada pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) nesta segunda-feira (27).
O réu, que já estava preso preventivamente durante a tramitação do processo, permanecerá detido para o cumprimento da pena.
De acordo com a denúncia apresentada pelo MPPR, o crime ocorreu em 20 de fevereiro de 2025, na Aldeia Tekoha Yhovy, em Guaíra. Conforme as investigações, o acusado foi até a residência da vítima e, aproveitando-se do momento em que ela estava sozinha na companhia de duas crianças, desferiu diversos golpes de arma branca contra a adolescente, que morreu no local. Após o crime, o autor fugiu.
O Ministério Público sustentou que o homicídio foi praticado em razão da condição de mulher da vítima, no contexto de uma relação íntima de afeto e de menosprezo à condição feminina, caracterizando o crime de feminicídio. A denúncia também apontou as qualificadoras de emprego de meio cruel e de recurso que dificultou a defesa da adolescente, surpreendida dentro da própria casa.
Durante o julgamento, o Conselho de Sentença acolheu integralmente as teses apresentadas pelo Ministério Público e condenou o réu por feminicídio qualificado. Os jurados rejeitaram os argumentos da defesa, que alegava legítima defesa e pedia o afastamento da qualificadora do feminicídio.
Além da pena de prisão, a Justiça fixou indenização mínima de R$ 50 mil aos familiares da vítima pelos danos causados pelo crime.
O julgamento foi acompanhado por representantes da comunidade indígena Avá-Guarani, que compareceram ao fórum em busca de justiça e em homenagem à memória da adolescente. Segundo o MPPR, a presença da comunidade simbolizou a mobilização dos indígenas diante da gravidade do caso e do impacto provocado pelo crime.
Foto: Divulgação
