Yasmim Aparecida morre aos 12 anos após luta contra câncer
Yasmim Amorim enfrentava um neuroblastoma agressivo e teve tratamento marcado por mobilização popular e investigação sobre desvio de recursos públicos
Créditos: Reprodução
A menina Yasmim Aparecida Campos de Amorim, de 12 anos, morreu nesta sexta-feira (6), em Cascavel, após enfrentar um longo tratamento contra um neuroblastoma, tipo raro e agressivo de câncer que atinge ossos e tecidos. Segundo familiares, a doença havia retornado com maior intensidade depois de anos de acompanhamento médico.
A morte foi confirmada pela mãe, Daniele Aparecida Campos, por meio das redes sociais. Durante todo o tratamento, ela compartilhou a rotina da filha e recebeu apoio da comunidade, que participou de campanhas de oração e mobilizações em busca de esperança e solidariedade.
Nesta sexta-feira, inclusive, estava programado um momento de oração em frente ao Hospital Uopeccan, unidade que acompanhou parte do tratamento da criança. A mobilização reuniu moradores e apoiadores em demonstração de fé e apoio à família.
O velório teve início na noite desta sexta-feira, na Capela Central da Acesc, em Cascavel. Familiares, amigos e pessoas que acompanharam a trajetória de Yasmim compareceram para prestar as últimas homenagens. O sepultamento está marcado para este sábado (7), às 16h, no Cemitério Cristo Redentor, no bairro Guarujá.
Caso teve repercussão e investigação criminal
A história de Yasmim ganhou repercussão estadual devido à necessidade do medicamento Danyelza, de alto custo e não disponível no sistema público de saúde. Diante da urgência, a Justiça determinou que o Estado do Paraná garantisse o fornecimento do remédio.
Durante o processo de aquisição, no entanto, foi identificado um esquema de desvio de recursos públicos. O valor, estimado entre R$ 2,4 milhões e R$ 2,5 milhões, deveria ser destinado à compra do medicamento, mas não foi aplicado corretamente, o que comprometeu o fornecimento.
Em junho de 2024, o governo estadual assumiu diretamente a compra do remédio para garantir o tratamento. No mês seguinte, a Polícia Civil deflagrou a Operação Jasmim, com cumprimento de mandados de busca, apreensão e prisões em diferentes estados, como São Paulo e Rio Grande do Sul.
As investigações apontaram inconsistências entre os valores pagos e os medicamentos efetivamente entregues, além de irregularidades na intermediação do fornecimento.
Após a fase de instrução, a 4ª Vara Criminal de Cascavel condenou dois réus pelo crime de estelionato. A Justiça entendeu que houve fraude e desvio de recursos públicos destinados ao tratamento da criança. Eles foram condenados a 4 anos, 9 meses e 5 dias de prisão, em regime inicial fechado, além do pagamento de multa. A decisão também manteve a prisão preventiva e negou o direito de recorrer em liberdade.
O caso mobilizou moradores, autoridades e instituições ao longo dos últimos anos. A história de Yasmim ficou marcada pela mobilização popular, pela luta da família e pelas investigações que expuseram irregularidades envolvendo recursos destinados à saúde.
