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“Governo artificial”: analista político afirma que aprovação de Ratinho Jr é “produzida pela máquina e pelo marketing”

O analista político Cleiton Denez afirma que o governo do Paraná é sustentado por propaganda institucional, controle de narrativa e uso da máquina pública. Segundo ele, a alta aprovação não reflete base social real, mas uma gestão de imagem construída

Por Gazeta do Paraná

“Governo artificial”: analista político afirma que aprovação de Ratinho Jr é “produzida pela máquina e pelo marketing” Créditos: Assessoria

O analista político Cleiton Denez afirma que a alta aprovação do governador Ratinho Jr no Paraná é resultado de uma estratégia baseada em marketing institucional, gestão de imagem e uso da máquina pública. Segundo ele, trata-se de uma aprovação “produzida artificialmente”.

Na análise, Denez sustenta que o governo opera sob um modelo “gerencialista, não político”, com decisões concentradas em um núcleo restrito e centralizador. De acordo com ele, a condução do Estado prioriza metas e indicadores, enquanto reduz o espaço de participação social e política.

O analista afirma que a força do governo não está na mobilização popular, mas no que chama de “máquina e imagem”. Ele aponta propaganda institucional massiva, controle de narrativa e influência de grupos empresariais como elementos centrais da gestão.

Segundo Denez, “o poder real está com quem financia”, e o núcleo do governo estaria alinhado a setores como agronegócio, capital financeiro e grandes grupos econômicos. Ele afirma ainda que fundações empresariais participam da formulação de políticas públicas, cabendo ao governo executá-las.

Na avaliação apresentada, lideranças políticas tradicionais têm papel secundário. Prefeitos, deputados e aliados, segundo ele, são utilizados como operadores eleitorais, sem participação nas decisões estratégicas.

Denez afirma ainda que o processo de sucessão política no Estado evidenciou esse modelo. Segundo ele, a base aliada não foi ouvida na definição de um sucessor, e a decisão foi tomada de forma centralizada.

O analista associa o governo a políticas de privatização, terceirização e concessões, citando medidas envolvendo estatais e serviços públicos. Para ele, esse movimento transforma o Estado em um instrumento voltado a interesses econômicos específicos.

Apesar dos altos índices de aprovação, Denez aponta o que chama de “paradoxo”. Segundo ele, a popularidade do governo não se traduz em liderança política consolidada, capacidade de mobilização social ou hegemonia de longo prazo.

Ao final, o analista afirma que “a máquina chegou ao limite” e que a gestão depende de uma estrutura centralizada para sustentar seu capital político. Ele conclui que o governo deve tentar transferir esse capital a um sucessor, utilizando a máquina pública para manter apoio nas bases locais.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp