Gabriela Hardt seguirá recebendo R$ 77 mil durante os dois anos de afastamento determinado pelo CNJ
Juíza continuará recebendo vencimentos proporcionais, mas perderá gratificações e benefícios ligados ao exercício da função; decisão foi motivada por irregularidades apontadas em atos da Lava Jato
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A juíza federal Gabriela Hardt continuará recebendo remuneração durante o período de dois anos em que ficará afastada da magistratura por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A punição, aplicada por unanimidade e fixada por maioria de votos, corresponde à pena de disponibilidade, prevista na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), que mantém o pagamento de vencimentos proporcionais, mas suspende o exercício da função.
Segundo o Portal da Transparência do CNJ, em junho de 2026, Hardt recebeu remuneração bruta de R$ 77.983,48 e líquida de R$ 56.161,46, valores que incluem verbas variáveis. O subsídio fixo da magistrada é de R$ 39.753,21. Durante o afastamento, ela deixará de receber gratificações e outros benefícios vinculados ao exercício do cargo.
O processo administrativo disciplinar foi instaurado em 2024 após inspeção da Corregedoria Nacional de Justiça identificar supostas irregularidades na homologação, por Gabriela Hardt, de um acordo que previa a criação de uma fundação privada para administrar recursos provenientes de multas aplicadas na Operação Lava Jato. O montante envolvido poderia chegar a R$ 2 bilhões.
Relator do caso, o conselheiro Rodrigo Badaró afirmou que a magistrada homologou o acordo em menos de 48 horas, sem a cautela necessária e sem consultar os órgãos envolvidos. Apesar disso, destacou que não foram encontrados indícios de que ela tenha agido para obter benefício próprio.
Gabriela Hardt ganhou notoriedade por substituir o então juiz Sergio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba durante a Operação Lava Jato. Em 2019, condenou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo do sítio de Atibaia, decisão posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Também enfrentou questionamentos sobre suposto plágio de trechos de uma sentença de Moro, acusação que sempre negou.
Paranaense de São Mateus do Sul, Gabriela Hardt ingressou na Justiça Federal em 2009 e atualmente é titular da 23ª Vara Federal de Curitiba. Além da carreira jurídica, é atleta e praticante de maratonas aquáticas.
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