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'Pequena Amanda': mulher que fingia ser adolescente de 13 anos é indiciada por golpe no Paraná Créditos: Reprodução Redes Sociais

'Pequena Amanda': mulher que fingia ser adolescente de 13 anos é indiciada por golpe no Paraná

Suspeita criou identidade falsa, disse ter câncer terminal e comoveu grupo de oração em Colombo; Polícia Civil aponta casos semelhantes em pelo menos seis estados

A Polícia Civil do Paraná indiciou por estelionato uma mulher de 37 anos suspeita de se passar por uma adolescente de 13 anos para aplicar golpes em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. Segundo as investigações, ela criou uma identidade falsa, disse que tinha câncer em estágio terminal e comoveu integrantes de um grupo de oração, que passaram a oferecer apoio emocional, espiritual e ajuda financeira.

O caso voltou a ser investigado após a prisão da suspeita, em junho deste ano, em Joinville (SC), onde ela também teria fingido ser adolescente para viver por mais de um ano com uma família que acreditava estar acolhendo uma menina vítima de maus-tratos.

De acordo com a Polícia Civil do Paraná, o golpe começou em 2021. A mulher criou um perfil falso e passou a manter contato com integrantes de uma comunidade religiosa. Durante as conversas, relatava uma rotina marcada por abandono, violência, perdas familiares e problemas de saúde. Em determinado momento, afirmou que enfrentava um câncer terminal, despertando a solidariedade das vítimas.

Sensibilizados com a história, os integrantes do grupo passaram a prestar assistência emocional, espiritual e também financeira.

A investigação foi aberta em dezembro de 2022, mas acabou interrompida porque a identidade da autora não havia sido descoberta. Com as informações obtidas após a prisão em Santa Catarina, a Polícia Civil retomou o inquérito e ouviu novamente as vítimas, que reconheceram a suspeita.

Segundo os investigadores, a forma de comunicação, os relatos apresentados e até a voz utilizada pela mulher coincidem com o caso registrado em Joinville.

Caso em Santa Catarina

Em Santa Catarina, a mulher foi identificada como Amanda Maria Souza de Oliveira. Conforme a Polícia Civil, ela se apresentou como uma adolescente de 12 anos chamada "Gabriele" e conseguiu ser acolhida por uma família de Joinville, onde viveu durante 14 meses como filha adotiva.

A aproximação também começou em uma igreja. Ela contou que havia fugido do Pará por sofrer maus-tratos e acabou conquistando a confiança de uma família, que passou a oferecer moradia, alimentação, roupas, estudos e outros cuidados.

Segundo a investigação, Amanda afirmava ser autista e dizia que sua aparência mais adulta era consequência do uso forçado de hormônios durante a infância, supostamente após sofrer abusos. Ela ainda adotava comportamentos infantis, utilizava mamadeira, chupeta e um objeto de apego para dormir, reforçando a imagem de adolescente.

De acordo com o delegado Rodrigo Bueno Gusso, a suspeita conseguiu criar um forte vínculo emocional com a família.

"Ela conseguiu sequestrar emocionalmente a família. Era uma família com boa situação financeira e ela passou a viver como uma adolescente, recebendo tudo o que precisava", afirmou.

A fraude só foi descoberta depois que uma parente da família desconfiou da história, pesquisou na internet e encontrou notícias de um caso semelhante ocorrido no Rio de Janeiro.

Histórico de golpes

As investigações apontam que Amanda já teria aplicado golpes semelhantes em diferentes estados brasileiros.

Em 2023, ela foi presa em Nova Iguaçu (RJ) após fingir ser adolescente e afirmar que havia sido vítima de uma rede de prostituição e bruxaria. Na ocasião, também utilizava uma identidade falsa para obter ajuda de pessoas sensibilizadas por sua história.

Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, há registros semelhantes envolvendo a suspeita nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul.

A Justiça catarinense decretou a prisão preventiva da mulher e determinou que ela passe por exames de sanidade mental.

No Paraná, o indiciamento por estelionato representa o encerramento da investigação policial. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público do Paraná, que decidirá se apresenta denúncia à Justiça.

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