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Família, poder e explicações que não vêm

Vai dizer ao povo do Paraná como é que um irmão de governador passa a ter sociedade com empresário que, ao mesmo tempo, vê contratos públicos inflarem quase que milagrosamente?

Por Marcos Formighieri

Família, poder e explicações que não vêm Créditos: Imagem gerada por inteligência artificial

Eu vou falar olhando direto para o centro do problema: família do governador. Porque não adianta tentar desviar o foco. Quando família entra no negócio do Estado, isso deixa de ser conversa privada e vira, sim, assunto público. E muito sério.

Eu não estou acusando o governador Ratinho Júnior de nada. Repito: em momento algum eu acusei o governador de qualquer ato lesivo ao Paraná. Pelo contrário. Já elogiei obras, já reconheci coragem política, já disse aqui que, se nada se comprovasse, eu até votaria nele. Isso está registrado. O que eu faço agora é cobrar explicações. E isso é obrigação de quem faz jornalismo sério.

O que não dá para engolir é essa história de negócios do irmão do governador com empresa do Estado, com empresa pública, com empresa que armazena os dados de todos os paranaenses. Isso exige cuidado extremo. Exige zelo. Exige transparência absoluta. Não dá para fingir que é normal.

Eu pergunto diretamente: vai explicar ou não vai explicar? Vai dizer ao povo do Paraná como é que um irmão de governador passa a ter sociedade com empresário que, ao mesmo tempo, vê contratos públicos inflarem quase que milagrosamente? Vai dizer por que contratos modestos viraram contratões? Vai dizer por que empresas vencem licitação ano após ano, com pedidos de impugnação sempre indeferidos?

Não venham me dizer que isso é “vida pessoal”. Não é vida pessoal. É vida pública. Quando envolve Celepar, dinheiro público, contratos milionários, isso é coisa pública. Quando envolve família dentro do governo, isso é coisa pública. O povo do Paraná tem o direito de saber.

E digo mais: o problema não é mencionar o irmão. O problema é o fato existir. Isso não tem como esconder. Está documentado. Está na Receita Federal. Está em contrato. Não sou eu que inventei. Não é a Gazeta do Paraná que inventou. Nós estamos mostrando documentos. Só isso.

O que me incomoda profundamente é essa postura de se esconder, de desaparecer, de bloquear, de fazer de conta que não é com você. O governador é você. Se você não sabe, mande investigar. Se souber, venha a público e preste contas. Diga: “comprovei”, “não comprovei”, “afastei”, “pus na rua”, “pus na cadeia”. Simples assim.

Eu vou repetir o que já disse e faço questão: nós estamos ajudando. Porque quem está ao redor do poder, os puxa-sacos, esses não contam a bandalheira. Esses chamam o povo de trouxa e apostam no esquecimento. O jornalismo não faz isso. O jornalismo aponta, alerta, incomoda.

A história mostra que muitos governos não caem pelo governador, mas pela família, pelo entorno, pelos comparsas, pelos larápios que se escondem atrás do cargo. Ignorar isso é erro grave. Fingir que não vê é ainda pior.

Então fica o recado, claro e direto: família em negócio público exige explicação pública. O Paraná não aceita silêncio. O Paraná não aceita coincidência sem resposta. E o silêncio, nesse caso, não protege ninguém. O silêncio vira problema.

Créditos: Marcos Formighieri Acesse nosso canal no WhatsApp