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Expansão do Porto de Paranaguá esbarra em gargalo histórico nos acessos terrestres

Com R$ 6,8 bilhões em investimentos no complexo portuário, setor de transporte cobra melhorias na BR-277

Por Gazeta do Paraná

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Expansão do Porto de Paranaguá esbarra em gargalo histórico nos acessos terrestres Créditos: José Fernando Ogura/AEN

Enquanto o Porto de Paranaguá vive um dos maiores ciclos de investimentos de sua história, com R$ 6,8 bilhões destinados à ampliação da capacidade operacional e modernização da infraestrutura, cresce também a preocupação de um dos principais elos da cadeia logística: o transporte rodoviário. Para o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR), a expansão do terminal pode perder parte de sua efetividade se não vier acompanhada de investimentos robustos nos acessos terrestres ao complexo portuário.

A avaliação ocorre em um momento de forte crescimento das operações. No último ano, os portos paranaenses movimentaram um recorde de 73,5 milhões de toneladas de cargas, volume 10,1% superior ao registrado no ano anterior. O aumento da movimentação também se refletiu nas estradas e no Pátio Público de Triagem de Paranaguá, que recebeu 507.915 caminhões ao longo do período, um crescimento de 29,5%.

Os números evidenciam um cenário em que o porto amplia sua capacidade interna, mas enfrenta limitações do lado de fora dos portões. Para o vice-presidente do SETCEPAR, Luiz Gustavo Nery, o desafio é garantir que toda a cadeia logística evolua de forma integrada.

"O porto pode ampliar sua capacidade de recepção e embarque, mas, se o caminhão continuar levando horas para entrar ou sair, o investimento não se traduz em eficiência real", afirma.

Segundo ele, não basta construir novos berços de atracação, ampliar armazéns ou adquirir equipamentos mais modernos se o fluxo rodoviário continuar comprometido por gargalos históricos na BR-277, nos acessos urbanos, nos pátios de triagem e nos sistemas de agendamento.

Na avaliação do setor, a eficiência logística deve ser medida considerando todo o percurso da carga, desde a origem até o retorno do caminhão. Isso inclui tempo gasto nas rodovias, custo com pedágios, consumo de combustível, espera para acesso ao pátio e entrada efetiva nos terminais.

A discussão ganha ainda mais relevância diante da implantação do Moegão, complexo ferroviário que recebeu investimentos superiores a R$ 650 milhões e deverá movimentar até 24 milhões de toneladas de grãos e farelos por ano. Embora reconheça a importância da expansão ferroviária, o SETCEPAR ressalta que ela não elimina a necessidade de investimentos nas rodovias.

Para Nery, a ferrovia desempenha papel estratégico no transporte de grandes volumes, principalmente durante os períodos de safra, mas o caminhão continuará sendo indispensável para a coleta da produção agrícola, transporte de contêineres, cargas fracionadas e operações que exigem maior flexibilidade.

"A expansão ferroviária deve organizar melhor a distribuição das cargas, e não servir como justificativa para postergar melhorias na BR-277", defende.

A preocupação também está relacionada à competitividade nacional. Enquanto Paranaguá amplia sua estrutura, os portos do chamado Arco Norte vêm conquistando participação crescente nas exportações brasileiras. No último ano, esses terminais responderam por 36,2% das exportações nacionais de soja e 48% dos embarques de milho. Paranaguá concentrou 13,4% das exportações de soja e 10,4% das de milho.

Para o setor de transporte, manter a competitividade do porto paranaense dependerá não apenas dos investimentos dentro do complexo, mas da capacidade de garantir um fluxo logístico contínuo entre as regiões produtoras e o litoral.

Sistema de agendamento

A administração do Porto de Paranaguá afirma que também considera necessária a constante melhoria dos acessos ao terminal, mas destaca que já adota mecanismos para reduzir filas e organizar o fluxo de caminhões.

O principal deles é o sistema Carga Online, responsável pelo agendamento das cargas de granéis sólidos vegetais transportadas por rodovias. Segundo a autoridade portuária, o sistema define previamente o dia e a janela de horário em que cada caminhão pode acessar o Pátio de Triagem, evitando deslocamentos antecipados e reduzindo a formação de filas nas rodovias.

De acordo com a administração, além de melhorar a fluidez do trânsito na região portuária, o agendamento também beneficia os transportadores ao diminuir o tempo de espera, otimizar a jornada de trabalho dos motoristas e permitir maior produtividade nas operações.

Apesar disso, representantes do transporte rodoviário sustentam que o sistema de agendamento, por si só, não resolve os gargalos estruturais. Para o SETCEPAR, a consolidação de Paranaguá como um dos principais corredores logísticos do país dependerá de uma estratégia integrada, capaz de alinhar os investimentos bilionários realizados dentro do porto com obras de infraestrutura nos acessos terrestres, garantindo segurança, fluidez e eficiência para toda a cadeia logística.

 

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