Ex-apresentador de TV é indiciado por estupro e extorsão em Cascavel
Fernando Dorne, conhecido como “Homem do Chapéu”, foi indiciado pela Polícia Civil após denúncias de ex-colaboradores; outros três homens também são investigados por estupro em concurso de agentes
Créditos: Reprodução PCPR e Redes Sociais / Montagem
O ex-apresentador de TV Fernando Antonio Dorne, de 54 anos, foi indiciado pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) por crimes de estupro, estupro em concurso de agentes, importunação sexual, assédio sexual e extorsão contra ex-colaboradores de uma empresa em Cascavel.
Conhecido como “Homem do Chapéu”, Dorne já apresentou um programa de sorteios de prêmios exibido por diferentes emissoras da região. O indiciamento anunciado nesta quarta-feira (2) é resultado de uma investigação conduzida pela Delegacia da Mulher de Cascavel.
Segundo a Polícia Civil, as apurações começaram depois que ex-colaboradores da empresa procuraram as autoridades para denunciar situações de violência e constrangimento. Dorne exercia uma função de gestão no local.
O inquérito foi concluído nesta quarta-feira e será encaminhado ao Ministério Público, que deverá analisar o material produzido durante a investigação. O nome da empresa não foi divulgado oficialmente.
Além de Dorne, outros três homens foram indiciados por estupro em concurso de agentes, situação em que, segundo a definição utilizada pela polícia, duas ou mais pessoas participam da prática do crime. Os nomes deles não foram divulgados.
Ao todo, aproximadamente 38 pessoas, entre vítimas, testemunhas e outros envolvidos, prestaram depoimento durante a investigação.
Polícia relata denúncias de violência sexual
De acordo com a Polícia Civil, diferentes mulheres relataram situações de natureza sexual que teriam ocorrido sem consentimento.
Os relatos incluem acusações de violência física, além de situações relacionadas ao ambiente de trabalho e à posição de gestão ocupada por Dorne.
A delegada Graziela Lopes, responsável pela investigação, explicou parte das denúncias recebidas.
“As principais acusações são que ele teria realizado atos sexuais sem consentimento das vítimas, mediante violência física. Também houve relatos de toques físicos libidinosos sem consentimento”, disse.
A investigação também apurou denúncias relacionadas à cobrança de valores de funcionárias.
Segundo a Polícia Civil, algumas colaboradoras teriam sido obrigadas a repassar parte dos rendimentos recebidos. Em determinados casos, de acordo com os relatos, haveria ameaça de demissão ou de transferência para regiões consideradas menos rentáveis.
Essas denúncias levaram a Polícia Civil a incluir o crime de extorsão entre os motivos do indiciamento.
A investigação também identificou possíveis irregularidades trabalhistas e situações que podem configurar assédio moral. Essas informações serão encaminhadas ao Ministério Público do Trabalho para análise.
A polícia informou, no entanto, que parte dos colaboradores ouvidos apresentou uma versão diferente. Segundo esses relatos, o repasse de valores seria uma condição previamente estabelecida pela empresa e alguns funcionários teriam concordado com a regra antes de iniciarem as atividades.
Defesa considera indiciamento prematuro
A defesa de Fernando Antonio Dorne afirmou que considera o indiciamento prematuro.
Em nota, o advogado Ruan Cavalaro questionou o encerramento da investigação antes da conclusão da perícia no celular apreendido. Segundo a defesa, o exame pode apresentar informações importantes para esclarecer os fatos investigados.
O advogado afirma que a perícia é necessária para verificar elementos que poderiam confirmar a versão apresentada pelo investigado.
“A referida diligência pericial mostra-se indispensável para o completo esclarecimento dos fatos, pois poderá revelar elementos probatórios relevantes em favor do investigado e confirmar a versão por ele apresentada.”
A defesa também afirma que o caso tramita sob segredo de Justiça e, por isso, não divulga a identidade de outros envolvidos nem detalhes protegidos dos autos.
Segundo o advogado, existem elementos que indicariam que as denúncias teriam origem em interesses financeiros e pessoais.
“Sem revelar informações protegidas, a defesa esclarece que existem elementos indicativos de que a controvérsia possui origem em interesses de natureza financeira e pessoal, sem relação efetiva com a prática de crimes.”
A defesa também questiona a condução da investigação e afirma que o indiciamento teria ocorrido antes da análise de todas as provas consideradas relevantes.
“A defesa lamenta profundamente que a estrutura estatal possa estar sendo instrumentalizada para atingir a honra, a reputação e a vida pessoal de um indivíduo, sobretudo antes da conclusão das diligências periciais necessárias e do completo esclarecimento dos acontecimentos.”
O advogado afirma ainda que os fatos serão apresentados e contestados durante o processo, com produção das provas e respeito ao contraditório e à ampla defesa.
“Todos os fatos serão devidamente enfrentados, esclarecidos e contextualizados perante a Justiça. Mediante provas concretas e com a plena observância do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, será demonstrada a verdadeira realidade dos acontecimentos, inclusive que o investigado não praticou os fatos que fundamentaram o seu indiciamento.”
A defesa diz confiar na Justiça e sustenta que a análise completa das provas deverá demonstrar a inocência de Dorne.
“A defesa mantém absoluta confiança no Poder Judiciário e está convicta de que, após a produção das provas e a análise técnica, integral e imparcial do conjunto probatório, a inocência do investigado será reconhecida.”
O advogado também reforçou que o indiciamento ocorre durante a fase de investigação e não equivale a uma condenação.
“Por fim, ressalta-se que o indiciamento constitui ato próprio da fase investigativa e não representa condenação, tampouco reconhecimento definitivo de responsabilidade criminal.”
A defesa concluiu a manifestação reafirmando confiança no Poder Judiciário e dizendo estar convicta de que a inocência do investigado será demonstrada ao longo do processo.
Prisão anterior ocorreu em investigação diferente
Fernando Dorne também foi preso em 16 de julho, mas por uma investigação diferente da que resultou no indiciamento desta quarta-feira.
Segundo a Polícia Civil, ele teria recebido de uma professora fotografias de partes íntimas de bebês de um berçário de um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) em Céu Azul
De acordo com apuração da RPC, Dorne deixou a prisão em 26 de agosto e passou a utilizar tornozeleira eletrônica.
A prisão anterior e o novo indiciamento fazem parte de investigações distintas.
O caso envolvendo as denúncias de ex-colaboradores será agora analisado pelo Ministério Público após a conclusão do inquérito pela Polícia Civil.
