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El Niño deve ficar muito forte e pode aumentar extremos de chuva e calor

Organização Meteorológica Mundial prevê intensificação do fenômeno até o fim de 2026, com quase 100% de chance de permanência nos próximos meses; Sul do Brasil tende a ter mais chuva

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El Niño deve ficar muito forte e pode aumentar extremos de chuva e calor Créditos: Fernando Frazão/Agência Brasil

El Niño deve continuar ganhando força nos próximos meses e atingir uma intensidade muito forte antes de chegar ao pico, previsto para o fim de 2026, segundo uma nova atualização da Organização Meteorológica Mundial (OMM), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).

A previsão chama atenção também pelo alto grau de confiança. Os modelos analisados pela organização apontam probabilidade próxima de 100% de que o El Niño continue presente entre setembro e novembro de 2026 e entre dezembro e fevereiro de 2027.

A possibilidade de retorno à neutralidade é considerada praticamente nula nesses períodos. Os modelos também não indicam uma volta da La Niña.

O cenário está relacionado ao forte aquecimento do Oceano Pacífico e a mudanças na atmosfera compatíveis com o fortalecimento do fenômeno.

A expectativa é que o El Niño continue influenciando temperaturas e chuvas em diferentes regiões do planeta durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul.

Intensidade do El Niño pode chegar a níveis históricos

Um dos principais indicadores utilizados pelos cientistas para acompanhar o fenômeno é a região Niño 3.4, localizada no Pacífico Equatorial.

A temperatura da superfície do mar nessa área estava cerca de 0,9°C acima da média em maio. Em julho, a diferença já havia chegado a 2°C.

Entre o fim de julho e meados de agosto, as medições semanais apontaram temperaturas entre 2,2°C e 2,6°C acima do normal.

A água quente também avançou para camadas abaixo da superfície. Segundo a OMM, algumas áreas do Pacífico chegaram a registrar temperaturas mais de 8°C acima da média em julho e no início de agosto.

Esse volume de água excepcionalmente quente contribui para a manutenção e o fortalecimento do El Niño.

Pacífico pode chegar a 3,6°C acima da média

Os modelos climáticos analisados pela OMM indicam que a anomalia média da região Niño 3.4 pode chegar a aproximadamente 3,6°C entre setembro e novembro.

O pico do fenômeno é esperado entre novembro e dezembro.

Para novembro, isoladamente, a projeção chega a 3,9°C acima da média.

Esse número, porém, precisa ser interpretado com cuidado. Ele não significa que todo o Oceano Pacífico ficará 3,9°C mais quente.

A previsão representa a possível diferença entre a temperatura da superfície do mar em uma área específica do Pacífico e a média histórica daquela região.

Além disso, a intensidade do El Niño não permite determinar sozinha quais serão os efeitos em cada cidade ou região.

Outros fatores climáticos também influenciam o resultado. Entre eles estão as condições dos oceanos Atlântico e Índico.

A OMM prevê, por exemplo, o desenvolvimento de uma fase positiva do Dipolo do Oceano Índico e a manutenção de águas mais quentes que o normal no Atlântico Equatorial. Esses padrões podem modificar os efeitos normalmente associados ao El Niño.

O que o El Niño pode provocar no Brasil

O El Niño altera a circulação da atmosfera e pode modificar a distribuição das chuvas e das temperaturas.

No Brasil, os efeitos não são iguais em todas as regiões.

Historicamente, o fenômeno está associado a mais chuva no Sul, inclusive com aumento do risco de eventos extremos.

No Norte e em parte do Nordeste, a tendência costuma ser de redução das chuvas.

Já no Sudeste e no Centro-Oeste, os efeitos podem aparecer principalmente na forma de maior irregularidade das precipitações.

Outro possível efeito é o aumento da frequência de ondas de calor.

Para setembro a novembro de 2026, a previsão da OMM aponta maior probabilidade de temperaturas acima da média em grandes áreas do planeta.

Na América do Sul, o sinal de calor aparece principalmente entre a linha do Equador e os 30 graus de latitude sul. Mais ao sul, a previsão é menos uniforme.

Em relação às chuvas, os modelos indicam maior possibilidade de volumes abaixo da média no noroeste e em áreas do norte da América do Sul.

Ao mesmo tempo, existe uma faixa com maior probabilidade de chuva acima da média no sudeste da América do Sul.

El Niño aumenta risco de extremos

A OMM alerta que o fortalecimento do fenômeno já ocorre em um cenário de temperaturas globais elevadas.

“Já estamos vendo transtornos e devastação provocados por secas e enchentes, e esperamos que esses impactos aumentem à medida que o El Niño se intensifica”, afirmou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM.

O El Niño é uma das fases do ENOS, o El Niño-Oscilação Sul, ciclo natural que também inclui a La Niña e períodos de neutralidade.

O fenômeno ocorre quando as águas do Pacífico Equatorial ficam mais quentes que o normal. A referência utilizada para caracterizar o El Niño é um aquecimento de pelo menos 0,5°C nessa região.

Esse aquecimento interfere na circulação atmosférica e pode alterar os padrões de chuva e temperatura em várias partes do mundo.

No Brasil, a distribuição dos efeitos depende também de outros fatores climáticos. Por isso, um El Niño forte não significa necessariamente que todas as regiões terão o mesmo tipo de impacto.

Calor global também preocupa

Além dos efeitos regionais, o El Niño pode contribuir para elevar a temperatura média do planeta.

Em episódios mais intensos, o fenômeno costuma favorecer temperaturas globais acima da média, somando seus efeitos ao aquecimento provocado pelas mudanças climáticas.

A intensidade do fenômeno e seus impactos variam de um episódio para outro.

Segundo a previsão, os próximos meses devem continuar com temperaturas elevadas em várias partes do planeta, em um cenário no qual os oceanos já apresentam temperaturas superiores às médias históricas.

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