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Entra em vigor nos EUA classificação de PCC e CV como organizações terroristas

Decisão do governo Trump amplia sanções contra facções brasileiras e gera preocupação no governo federal sobre impactos econômicos, diplomáticos e na soberania nacional

Por Eliane Alexandrino

Entra em vigor nos EUA classificação de PCC e CV como organizações terroristas Créditos: REUTERS/Ken Cedeno

Passou a valer nesta sexta-feira (5) a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A medida foi anunciada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, no fim de maio, e representa uma mudança significativa na forma como Washington pretende atuar contra organizações criminosas com atuação internacional.

Segundo o governo norte-americano, as duas facções estão entre as organizações criminosas mais violentas da América Latina, com atuação ligada ao tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e outros crimes transnacionais. Com a nova classificação, passam a valer mecanismos mais rígidos de monitoramento financeiro, bloqueio de ativos e sanções contra pessoas e empresas que mantenham vínculos com os grupos.

A decisão provocou reação do governo brasileiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a medida e afirmou que o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio da cooperação internacional, sem interferência em assuntos internos do país. O Palácio do Planalto também demonstrou preocupação com possíveis reflexos sobre a soberania nacional.

Especialistas em relações internacionais e segurança pública avaliam que a medida pode produzir efeitos além do combate às facções. Entre os possíveis impactos estão o aumento da fiscalização sobre instituições financeiras, maior cautela de investidores estrangeiros e reflexos em setores estratégicos da economia brasileira, como agronegócio, energia, mineração e telecomunicações.

Outro ponto de preocupação é a ampliação das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington. Analistas alertam que a classificação pode alterar os mecanismos de cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado e abrir precedentes para ações mais incisivas dos Estados Unidos na região sob o argumento do combate ao narcoterrorismo.

A entrada em vigor da medida ocorre em meio a um cenário de divergências comerciais entre os dois países. Nos últimos dias, o governo Trump também anunciou estudos para ampliar tarifas sobre produtos importados do Brasil, alegando práticas comerciais consideradas desleais e falhas em áreas regulatórias. O governo brasileiro contesta as justificativas e não descarta recorrer a mecanismos de reciprocidade comercial previstos na legislação nacional.

Com a nova classificação, PCC e Comando Vermelho passam a integrar a lista de organizações consideradas terroristas pelo governo norte-americano, ao lado de grupos e cartéis que atuam em diferentes regiões do mundo.

Foto: Divulgação 

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