Advogado preso pela PF em 2018 doou R$ 50 mil para campanha de Moro
João Alberto Graça foi alvo da Operação Registro Espúrio e teve duas prisões em 2018; após repercussão da doação, campanha de Sergio Moro afirma que devolveu integralmente o valor
Créditos: Divulgação
A campanha de Sergio Moro (PL) ao governo do Paraná recebeu R$ 50 mil do advogado João Alberto Graça, preso duas vezes pela Polícia Federal em 2018 durante investigações sobre suspeitas de fraudes no Ministério do Trabalho. A doação consta nos registros da Justiça Eleitoral e foi revelada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
A assessoria de Sergio Moro informou que o valor foi integralmente devolvido e afirmou que nenhum integrante da campanha teve contato com João Alberto Graça.
“Informamos que os valores recebidos pela campanha Sergio Moro Governador, em doação feita por João Alberto Graça, foram integralmente devolvidos. Esclarecemos que nenhum membro da campanha tratou com esse advogado que já foi preso pela Polícia Federal. Informamos, ainda, que todas as doações passam por verificação com critérios de governança e compliance.”
O registro eleitoral mostra que a contribuição de R$ 50 mil foi feita em 3 de setembro de 2026.
Quem é João Alberto Graça
Graça é advogado e foi assessor do Ministério do Trabalho. Ele foi alvo da Operação Registro Espúrio, da Polícia Federal, que investigou suspeitas de fraudes relacionadas à concessão de registros sindicais e outros desvios na pasta.
Na primeira fase da operação, em maio de 2018, Graça foi preso temporariamente. Em dezembro daquele ano, voltou a ser preso pela PF, desta vez no aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para os Estados Unidos.
Durante uma diligência realizada naquele mês, os policiais encontraram um celular de Graça dentro da caixa acoplada de um vaso sanitário. O episódio foi registrado em relatório da Polícia Federal.
Segundo as investigações divulgadas na época, Graça era apontado como lobista que atuava na articulação de sindicatos interessados na obtenção de cartas sindicais mediante pagamento de propina. A apuração também envolvia suspeitas de restituições ilegais da Conta Especial Emprego e Salário.
Relação mencionada com Alberto Youssef
O nome de Graça também apareceu em reportagens de 2014 relacionadas ao doleiro Alberto Youssef, personagem central de investigações que posteriormente ficaram associadas à Operação Lava Jato.
Naquele período, Graça era assessor do Ministério do Trabalho. Reportagem da revista Veja citada por veículos de imprensa registrou que ele frequentava o escritório de Youssef. Após a repercussão, Graça deixou o cargo no Ministério do Trabalho.
Moro, por sua vez, atuou como juiz federal em processos que envolveram Youssef. Em 2010, declarou suspeição para julgar o doleiro por razões de “foro íntimo”.
A referência ao relacionamento de Graça com Youssef e à atuação de Moro em processos envolvendo o doleiro faz parte do histórico público dos dois personagens, mas não estabelece, por si só, qualquer irregularidade na doação feita à campanha.
