Emenda Pix de R$ 6,5 milhões de Osmar Serraglio beneficia empresa da qual é sócio
Recursos enviados a Francisco Beltrão foram usados em obra de hospital executada por construtora ligada ao ex-ministro; repasses superam R$ 7 milhões com rendimentos e ampliam debate sobre transparência das emendas especiais
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Agência Brasil
Uma emenda parlamentar de quase R$ 6,5 milhões enviada pelo ex-deputado federal e ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio para o município de Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná, acabou beneficiando diretamente uma empresa da qual ele próprio é sócio. A informação foi revelada em reportagem publicada pela coluna do jornalista Tácio Lorran, do portal Metrópoles.
Segundo a apuração, os recursos foram enviados por meio das chamadas “emendas Pix”, modalidade oficialmente conhecida como transferência especial, criada para permitir repasses diretos da União a estados e municípios, com menos burocracia e maior autonomia local na aplicação dos valores. No caso de Francisco Beltrão, o dinheiro foi utilizado para custear aditivos contratuais da obra do Hospital Geral Intermunicipal, executada pela Construtora Sudoeste, empresa pertencente à família Serraglio.
Documentos obtidos pela reportagem apontam que a Construtora Sudoeste tem como sócios os irmãos Odarci Antônio Serraglio, Odair Serraglio e o próprio Osmar Serraglio. A participação societária do ex-parlamentar já havia sido declarada por ele à Justiça Eleitoral nas eleições de 2018.
O contrato da obra do hospital foi firmado em janeiro de 2020, após processo licitatório vencido pela empresa da família. Os pagamentos feitos com recursos da emenda ocorreram entre setembro de 2023 e novembro de 2025, segundo dados do TransfereGov citados nas reportagens. Com os rendimentos financeiros acumulados ao longo do período, o valor desembolsado ultrapassou R$ 7 milhões. Desse total, aproximadamente R$ 591 mil correspondem apenas aos rendimentos da aplicação financeira dos recursos federais.
A prefeitura de Francisco Beltrão afirmou que os procedimentos relacionados à emenda ocorreram na gestão anterior, entre 2022 e 2024, e declarou estar à disposição do Tribunal de Contas do Estado do Paraná para fornecer informações e documentos eventualmente solicitados.
O caso reacende o debate nacional sobre a transparência das emendas Pix, mecanismo que se tornou um dos principais instrumentos de destinação de verbas parlamentares nos últimos anos justamente pela menor exigência de detalhamento prévio sobre a aplicação dos recursos. A modalidade entrou na mira do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que vem cobrando mecanismos mais rígidos de rastreabilidade e prestação de contas.
A situação envolvendo Serraglio chama atenção porque, embora o contrato original da obra tenha sido firmado por meio de licitação, a emenda enviada pelo então parlamentar acabou sendo utilizada para reforçar pagamentos à empresa da qual ele próprio mantém participação societária. Até o fechamento das reportagens originais, nem Osmar Serraglio nem a construtora haviam se manifestado publicamente sobre o caso.
Créditos: Redação
